Henrique Castilhano Vilares – Presidente do Sicoob

Na entrevista a seguir, Henrique Castilhano Vilares, presidente do Sicoob, revela otimismo quanto ao futuro do modelo de negócios cooperativo no Brasil, e defende que tenha maior divulgação, para que mais pessoas passem a desfrutar dos benefícios que já proporciona aos seus cooperados. 

CLIC – Desde a fundação do Bancoob há duas décadas e, em especial, a partir da formalização do Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil (Sicoob), houve uma notável evolução no cooperativismo financeiro no País. Efetivamente, ingressou-se em uma nova era nessa área. Quais são os números que melhor definem a evolução desse segmento econômico até o presente?

VILARES – As cooperativas financeiras vêm ganhando relevância no atual contexto socioeconômico do País por demonstrarem o seu potencial na promoção da inclusão financeira e no desenvolvimento das economias locais. Cada vez mais, as cooperativas ganham mais espaço no mercado e se destacam pelas vantagens oferecidas como atendimento diferenciado, facilidades para acesso ao crédito e taxas reduzidas.
De acordo com o Panorama do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo divulgado pelo Banco Central do Brasil, a participação das cooperativas aumentou em todos os principais indicadores e atingiu seu máximo histórico no final de 2016. A participação das cooperativas no patrimônio de referência do SFN (Sistema Financeiro Nacional) aumentou para 3,9% no ano passado. Nos ativos totais, as cooperativas representam 1,87% do SFN e, na carteira de crédito, 2,41%. Já no total de depósitos, somam 4,26%. Os ativos totais das cooperativas cresceram 18% em 2016, alcançando R$ 154,1 bilhões.
O cooperativismo financeiro vem crescendo num ritmo mais forte em todos os indicadores quando comparado ao conjunto do Sistema Financeiro Nacional. Neste primeiro semestre, as cooperativas já ocupam a 6ª posição no ranking das maiores instituições financeiras do Brasil (considerando ativos, depósitos e operações de
crédito) e já possuem a maior rede de atendimento do País.

CLIC – Complementando a questão anterior, em termos de serviços de apoio às cooperativas singulares e centrais, quais foram, em sua opinião, os marcos mais importantes na evolução do Sicoob?

VILARES – Dentre as ações desenvolvidas, os grandes marcos foram a criação do Sicoob Universidade; a centralização do serviço de PLD (Prevenção de Lavagem de Dinheiro); grandes evoluções nas ferramentas de TI notadamente nos canais Mobile; melhorias nos processos de BackOffice, com a disponibilização do módulo de Gestão Empresarial; entrega dos aplicativos Faça Parte e Conta Fácil, alinhados à estratégia de posicionamento digital e junto ao público jovem; e evolução do parque tecnológico, com atualização da rede de comunicação e aquisição de novos equipamentos para processamento do SISBR, ferramentas de Business Intelligence para análise de desempenho de negócios e relacionamento com cooperados.

CLIC – Quais foram os resultados registrados pelo Sicoob no primeiro semestre de 2017? No que diz respeito à introdução ou ao aprimoramento de produtos e serviços, há algo a destacar no seu desempenho nesses primeiros seis meses do ano?

VILARES – O desempenho no primeiro semestre de 2017 foi positivo e manteve o patamar elevado dos números para o período, apesar da lenta recuperação da economia brasileira. Um dos principais destaques é o número de ativos totais. Foram R$ 83,4 bilhões registrados no primeiro semestre, um salto de 23,2% ante os R$ 67,7 bilhões alcançados no mesmo período do ano passado. As cooperativas do Sistema encerraram o primeiro semestre com lucro líquido (sobras) de R$ 1,25 bilhão, um crescimento de 9,1% em relação ao mesmo período de 2016. Outro número relevante é o de novos associados: 412 mil, uma alta de 12,4% no período. Esse número é muito importante para nós. Mostra que o público acredita cada vez mais no nosso sistema. Creditamos este indicador à política dos melhores juros do nosso principal produto, o qual chamamos de confiança, que é o crédito.
Atualmente, mais de 3,7 milhões de pessoas contam com o amplo portfólio de produtos e serviços financeiros oferecidos por nossas cooperativas. A rede de atendimento também cresceu e chegou a 2.626, um acréscimo de 146 novas agências, o que representa um aumento de 5,6% em relação ao período anterior. Consequentemente, a oferta de emprego avançou 4,4% no Sistema, número positivo diante do cenário de desemprego que o País
enfrenta. Nesse semestre, 1.260 novos empregos foram gerados. Os números estão dentro das nossas perspectivas de avanço e mostram que o Sicoob está crescendo, trazendo gente
nova e que as pessoas estão satisfeitas.
O patrimônio líquido somou R$16,9 bilhões, uma alta de 13,9% se comparado ao primeiro
semestre de 2016. Os depósitos do Sistema somaram R$ 52,9 bilhões, aumento de 23% em
relação a 2016, com destaque para os depósitos a prazo, que evoluíram 24,1%, e os depósitos à vista, que cresceram 23,9%. Outro fator importante sobre os números positivos é a recente publicação Melhores & Maiores da Revista Exame. Neste ano, o Sicoob subiu 12
posições na classificação e atualmente é o 39º colocado entre os 200 maiores grupos privados do País. O resultado reflete a inovação, a agilidade e a essência da instituição: a economia compartilhada. Isso mostra que estamos em uma posição diferenciada frente à economia, que nosso negócio está crescendo e se consolidando.


CLIC – As estatísticas classificam as cooperativas de crédito brasileiras vinculadas ao Sicoob como a sexta maior instituição financeira do País. Trata-se de uma avaliação quantitativa. Em termos qualitativos, como o senhor situa as cooperativas do Sicoob em comparação com as instituições financeiras tradicionais? No que são melhores? E no que ainda precisam avançar?

VILARES – O crescimento no setor se revela à medida que as cooperativas mantêm as taxas
de juros mais acessíveis, o que torna o setor uma opção mais atrativa e competitiva. Além
disso, enquanto nos bancos comerciais existe a figura do cliente, nas cooperativas de crédito os associados são donos do negócio, têm direito a voto nas decisões e participam da distribuição dos resultados da instituição. 
Outro fator que contribui para o desenvolvimento do Sicoob é a relação das cooperativas de crédito com seus cooperados, com atendimento mais humano, diferenciado e direcionado às suas necessidades. As cooperativas do sistema contribuem para o desenvolvimento das economias locais, movimentando e reciclando seus recursos financeiros nas próprias comunidades onde atuam. O Sicoob participa também de projetos e programas sociais, por meio de parcerias com entidades locais, promovendo a melhoria
da qualidade de vida da comunidade.
A eficiência operacional tornou-se o grande desafio para as cooperativas financeiras, tanto para aumentar as receitas como para reduzir custos e despesas. Nesse particular, as cooperativas engajadas nos sistemas cooperativos já recebem os resultados de ganho de escala de cada sistema, acesso a tecnologias robustas, negócios estruturados similares aos grandes bancos e investimentos em grandes projetos. Eficiência operacional não se trata apenas de gerenciar as despesas, mas sim de recursos operacionais para girar o negócio que chega até a inovação. E há diversas ferramentas tecnológicas à disposição das cooperativas para enfrentar o desafio da concorrência, sendo elas o Internet Banking, os processos automatizados e o BI (Business Intelligence), entre outros.


CLIC – Quais os planos e projetos do Sicoob para o futuro próximo, em benefício
das cooperativas centrais e singulares e, por extensão, de todos os cooperados do
sistema?

VILARES – Entre os planos para o futuro, destacam-se a implementação de estudos com vistas à centralização de mais serviços na Confederação, disponibilização da contratação de mais produtos e serviços em canais de autoatendimento (Fundos de Investimentos, Financiamento de Veículos) e a criação do Instituto Sicoob, que coordenará as ações sociais de todo Sistema.

CLIC – E, a longo prazo, como o senhor avalia o futuro do modelo de negócios do cooperativismo financeiro no Brasil? Que avanços o cooperado pode esperar?

VILARES – O sistema de cooperativismo é centenário no Brasil e sempre se destacou como um modelo econômico eficaz, responsável pela evolução financeira e pelo bem-estar social de seus cooperados. A cultura do cooperativismo financeiro precisa ser ampliada, chegar ao conhecimento de mais pessoas, para que elas possam também aderir aos sistemas. Trabalhamos em prol desta movimentação.
O Sicoob continuará investindo em sistemas de informação com o objetivo de proporcionar
uma vantagem competitiva de prospecção do cooperado, além de realizar forte incremento no portfólio de produtos e serviços.

Escrito por sicoobcredicitrus

Deixe uma resposta