As cooperativas de crédito têm se mostrado uma opção bastante viável e interessante para a população em geral, quando comparamos com os bancos tradicionais. Com isso, cada vez mais esse setor cresce, mesmo em períodos difíceis, até mesmo na, ainda vigente, crise econômica mais recente.

Trata-se de um fenômeno peculiar, principalmente em períodos nos quais os bancos tradicionais enfrentaram retrações no que concerne ao oferecimento de crédito. Mas por que isso aconteceu? O que há de diferente nas cooperativas de crédito que possibilitou esse crescimento?

Para entender essas questões, leia nosso artigo e saiba tudo o que você precisa sobre o crescimento do cooperativismo financeiro.

1. É uma área que cresceu consideravelmente nos últimos anos

Novos tempos impulsionaram a confiança dos clientes em outras modalidades de instituições financeiras que não fossem os bancos tradicionais. Com isso, surgiram as “fintechs” e, também, o favorecimento das cooperativas de crédito, em franca expansão nos últimos anos.

Por exemplo, em 2017 os empréstimos em cooperativas cresceram 15%, no meio de um momento de crise econômica, mostrando sua força. Foi um dos melhores anos para as cooperativas de crédito, enquanto foi um ano bastante prejudicial para os bancos tradicionais, que viram uma queda na oferta de crédito de modo geral.

E não foi um fenômeno isolado: segundo pesquisa do Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito (FGCoop), houve um crescimento no número de cooperados de 198,4% nos últimos 10 anos.

Assim, as cooperativas de crédito, que anteriormente não eram tão utilizadas pelo grande público, passam a ser uma opção real nos últimos anos, o que potencializou o crescimento desse negócio.

2. A tendência é continuar crescendo

E a tendência é que não pare por aí. Como a média de crescimento está se mantendo estável, é provável que nos próximos anos o setor consiga alcançar o patamar de ocupar uma posição privilegiada no setor financeiro nacional.

A confiança também faz com que as cooperativas passem a investir mais nas atividades. O Sicoob, por exemplo, vai investir 500 milhões em 2019, como parte do seu plano de expansão.

3. O crescimento supera o do setor bancário

O setor bancário, diante da última crise financeira, encolheu por três anos seguidos (e a tendência é que os dados de 2018 apontem a mesma tendência de retração), o que representa uma preocupação considerável para aqueles que investem em ações desses negócios.

Já as cooperativas de crédito, em contrapartida, como falamos acima, estão crescendo exponencialmente. Basta compararmos os números reais para percebermos que este é um modelo mais vantajoso no atual momento.

Em 2017, o segmento de cooperativismo financeiro terminou o período com 9,2 milhões de associados, com 5,8 mil pontos de atendimento. Já o Banco do Brasil, uma das maiores redes do país no segmento, terminou o ano com 4,8 mil pontos de atendimento e com 4,6% dos depósitos do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

Com isso, a tendência é que as cooperativas de crédito façam forte concorrência aos bancos nos próximos anos. A meta é que as cooperativas cheguem a 10% da participação no oferecimento de crédito até 2025.

4. É um modelo de longa tradição

As cooperativas de crédito não são novidades. Elas existem desde o século XIX, tendo sido fundadas na Europa, auxiliando inclusive como agentes reguladoras do mercado na Alemanha (país de origem do modelo) e na França.

Essa tradição confere uma extrema importância ao modelo de cooperativa de crédito até hoje na Alemanha: cerca de 20% do PIB (Produto Interno Bruto) do país está nas mãos desses negócios, suprindo necessidades financeiras e de natureza bancária de aproximadamente um quarto da população. Bastante coisa, não é mesmo?

Já no Brasil, há instituições centenárias, demonstrando sua importância e tradição. Porém, o boom ocorreu mesmo nos últimos 20 anos e tem se solidificado cada vez mais no país.

5. Esse modelo está presente em todo o mundo

E não se trata de tradição apenas ocidental: no Oriente, países importantes como China e Japão, por exemplo, também investem maciçamente em cooperativas de crédito. No Japão, por exemplo, 10% da população escolhe esse modelo de negócio para confiar suas transações bancárias e gerenciamento de produtos de natureza financeira.

Na verdade, podemos dizer que é um modelo que tem se fortalecido no mundo todo. Segundo dados do Conselho Mundial das Cooperativas de Crédito (WOCCU), há mais de 56 mil cooperativas de crédito em todo o mundo, em pelo menos 103 países. O resultado são mais de 207 milhões de associados que acreditam nesse modelo de negócios e fazem parte das cooperativas.

Outro exemplo da força desse sistema é que a participação de mercado das sociedades cooperativas é de mais de 70% na França. Nos Estados Unidos, também, é um setor bastante forte: são mais de 97,5 milhões de associados. Seu vizinho ao norte, o Canadá, conta com um terço de sua população associada a cooperativas de crédito.

6. É financeiramente mais vantajoso do que o setor bancário

Alguns pontos evidenciam o quanto investir no cooperativismo financeiro pode ser vantajoso. São eles:

  • os benefícios para os cooperados são maiores do que os das instituições convencionais, quando comparamos retorno do resultado do exercício das cooperativas com a participação dos lucros dos bancos tradicionais;
  • as concessões de crédito no setor de cooperativa de crédito estão em crescimento, enquanto os bancos tradicionais estão encolhendo nesse quesito;
  • as taxas de juros cobradas são menores do que as aplicadas pelos bancos tradicionais.

7. Tem funcionamento e propósitos bem diferentes dos bancos tradicionais

Também há algumas mudanças significativas em comparação com os bancos convencionais, o que coloca essa modalidade à frente e propicia seu crescimento exponencial. São eles:

  • por ser uma cooperativa, é dotada de um sistema democrático, ou seja, todos os associados são donos e possuem igualdade de condições;
  • o Conselho de Administração é eleito por uma assembleia geral, com cada um dos membros com votos de mesmo peso;
  • as cooperativas promovem o desenvolvimento local, como uma forma de fortalecer os setores produtivos da região, de uma maneira que todos saem ganhando;
  • há uma maior facilidade de acesso a crédito;
  • os processos de obtenção de crédito são menos burocráticos e morosos, sendo mais eficientes do que nos bancos tradicionais;
  • as cooperativas financeiras trabalham com responsabilidade social, já que empregam um número muito maior de pessoas e tendem mais a contratar do que demitir em situações de crise, diferentemente dos bancos tradicionais.

Assim, podemos ver que o crescimento do cooperativismo financeiro não é uma novidade ou algo efêmero. Solidez e tradição também contribuem para esse movimento atual, cuja tendência é apenas ser potencializado.

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Escrito por sicoobcredicitrus

1 comentário

  1. Francisco de Souza Prado Neto 10 de maio de 2019 às 14:42

    Fantástica matéria. É hora cooperar.

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