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Arrancando para a Safra 2020/21

Os preços do petróleo devem retomar entre 58 a 60 dólares o barril com o arrefecimento da crise do Coronavírus, o problema é quando. Se esta não diminuir e os preços seguirem em queda, podem comprometer a recuperação do setor na safra 2020/21, baixando o bom valor de início do ATR.  É a principal questão a ser observada.

Sobre as usinas, vale destacar que a São Martinho apresentou o maior lucro da história neste último trimestre da safra, com R$ 343 milhões.  A receita total cresceu 22,2%, graças a aumentos de produtividade dos canaviais, gerando mais produtos e melhores preços, comparativamente ao mesmo trimestre da safra passada. A margem obtida ficou em mais de 52%.  A empresa anunciou estudos também para produzir etanol de milho em Pradópolis (SP).

Segundo a ANP, até o momento, foram certificadas 19 usinas para a comercialização de CBIOS, sendo 11 produtoras de etanol e 8 de biodiesel.

Neste momento nossa “frota sucroenergética” de mais de 300 usinas, está quase pronta para entrar em operação.

 No açúcar, a safra 2019/20, pode ter um déficit na produção de açúcar acima de 10 milhões de toneladas e isto ajudou a segurar a esperada queda de preços com a crise do Coronavírus e a desvalorização do real, fatores que seriam responsáveis por uma baixa maior que a observada. No fechamento desta coluna, o contrato de maio estava em 13,62 cents.

Problemas climáticos também farão a produção de açúcar nos EUA cair para o menor nível da década, aumentando os custos das empresas. A beterraba foi atingida por chuva e neve, enquanto que excesso de umidade afetou a produção da cana. O México, que é o principal fornecedor dos EUA, também teve problemas com a seca e os EUA devem precisar buscar mais no mercado internacional, sendo outro fator de alta.

Archer viu fixação recorde de açúcar da safra 2020/21. Motivada por preços acima de R$ 1.400/tonelada nas últimas semanas. Foi um excelente movimento das usinas, aproveitando o câmbio e o “namoro” de pouco tempo com 15 cents/libra peso.

As exportações de açúcar cresceram 55,8% em janeiro de 2020, atingindo US$ 470,25 milhões. Enquanto isso, as de etanol caíram 21,0%, com valor de US$ 43,07 milhões.

 No etanol, em 2019, o mercado brasileiro de combustíveis cresceu 2,9%, de acordo com a ANP. O total comercializado foi de 140 bilhões de litros. Destes, foram 57,3 bilhões de diesel (3% acima), 22,54 bilhões de hidratado (16,2% acima), 38,16 bilhões de litros de gasolina (queda de 0,56%). A demanda do ciclo Otto cresceu 5%.  O Brasil é o sétimo maior consumidor mundial de derivados de petróleo.

Na primeira quinzena de fevereiro nossas usinas no centro-sul venderam 1,2 bilhão de litros, uma queda comparativa de 8,2%.  A queda no hidratado foi de quase 14%, compensada em parte pelo aumento do anidro em 13%, pela redução na diferença de preços com a gasolina.

Em janeiro, o mercado de etanol foi contemplado com a produção de 350 milhões de litros adicionais, sendo 50% vindos do milho e 50% importados. Isto, somado à queda de vendas de hidratado em janeiro de quase 4,3% (1,75 bilhão de litros), aliviou as preocupações que os estoques não seriam suficientes para atravessar a entressafra. A redução dos preços da gasolina também contribui para um aumento do consumo desta. Estima-se que no final de janeiro tínhamos 3,6 bilhões de litros de hidratado em estoques e 2,6 bilhões de anidro.  Com usinas começando agora em março, creio que a ameaça está superada.

No front internacional vale destacar que o Governo dos EUA sinalizou parar as exceções dadas às pequenas refinarias de petróleo de seguir a necessidade de mistura de etanol, bem como anunciou metas arrojadas de mistura de biocombustíveis nos fósseis até 2050.  Estas informações proporcionaram valorização imediata dos papeis ligados ao etanol (RINs) e podem trazer aumento de consumo.

Ao fechar esta coluna, o litro do hidratado com impostos nas usinas estava, pela SCA, cotado em R$ 2,59.

Quais são os cinco principais fatos para observarmos agora em março?

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Marcos Fava Neves é Professor Titular dos cursos de Administração da USP em Ribeirão Preto e da EAEASP/FGV em São Paulo. Especialista em  planejamento estratégico do agronegócio.

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