As mulheres representam 41% dos mais de 23 milhões de cooperados no país, de acordo com a última edição do Anuário do Cooperativismo Brasileiro, relativo a 2024, elaborado pelo Sistema OCB. A participação feminina no cooperativismo é especialmente significativa em quatro setores: consumo; crédito; saúde e trabalho; e produção de bens e serviços.
Setor de crédito
Dados da mais recente edição do Panorama do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC), publicado em outubro de 2024 pelo Banco Central, mostram que as mulheres representam 44% do total de associados das cooperativas financeiras. Esse percentual indica uma pequena, mas consistente, evolução em comparação com os 40% apurados na primeira edição desse documento, realizada em janeiro de 2016.
A presença feminina é ainda maior, proporcionalmente ao quadro de associados, no corpo de funcionários e colaboradores diretos. Segundo esse mesmo documento, as mulheres representam 60% dos trabalhadores das cooperativas de crédito. Trata-se de uma participação bastante superior à observada no total da população ocupada do país, de cerca de 40%, como também na própria categoria dos bancários, na qual a participação fica em torno de 50%.
Vale destacar que, em termos geográficos, as mulheres também são maioria no estado do Ceará, constituindo 63% dos quadros sociais das cooperativas sediadas nesse estado.
Cargos decisórios
Embora menor, a presença feminina também vem aumentando nos órgãos de governança das cooperativas. A tabela a seguir mostra a quantidade de mulheres que atualmente ocupam cargos de decisão nas cooperativas de crédito, como membros dos Conselhos de Administração e das Diretorias Executivas, em comparação com o percentual observado no conjunto de instituições do Sistema Financeiro Nacional (SFN), ou seja, Banco Central, bancos estatais e comerciais, financeiras e cooperativas.
Nas cooperativas, conforme demonstram os números abaixo, as mulheres têm participação ligeiramente maior.
| Conselho | Diretoria | |||
| Mulheres | Homens | Mulheres | Homens | |
| Cooperativas de crédito | 16,3 % | 83,7% | 23,2% | 76,8% |
| Sistema Financeiro Nacional | 15,9% | 84,1% | 19,0% | 81,0% |
Cooperativas femininas
Há, no Brasil, várias cooperativas formadas exclusiva ou predominantemente por mulheres. A seguir, são apresentados alguns exemplos de organizações que reúnem principalmente artesãs e contribuem para aumentar a autonomia feminina em seus respectivos territórios, bem como para a preservação do meio ambiente e a valorização de produtos locais.
- Cooperativa dos Artesãos de Barra Nova (Cooperartban) – Sediada emMarechal Deodoro (AL), é composta por mulheres que produzem o tradicional bordado filé em roupas, toalhas de mesa e itens decorativos.
- Cooperativa Regional de Artesãs Fibra do Sertão (Cooperafis) – Situada no semiárido baiano, reúne mulheres sertanejas dos municípios de Valente, Araci e São Domingos. São especializadas no trançado de fibras naturais, como sisal e caroá, com as quais produzem bolsas, chapéus, cestos e outros itens, utilizando técnicas tradicionais e corantes naturais extraídos de plantas da caatinga.
- Cooperativa Mulheres à Frente (Coopemaf) – Localizada em Presidente Epitácio (SP), é composta por mulheres que trabalham no curtimento e tingimento de pele de tilápia, transformando-a em couro para confecção de bolsas, carteiras e outros acessórios.
- Cooperativa Social de Trabalho Arte Feminina Empreendedora (Coostafe) – Fundada dentro do Centro de Reeducação Feminino de Ananindeua (PA), é a primeira cooperativa formada por detentas no Brasil. Utiliza a produção de artesanato como meio de qualificação profissional, reinserção social e geração de renda para mulheres encarceradas ou egressas do sistema prisional.
- Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (Coopercuc) – Constituída em 2004 na região noroeste da Bahia, é composta por 270 agricultores familiares, dos quais 70% são mulheres. A cooperativa se destaca na produção orgânica de frutas nativas da caatinga, como o umbu, transformando-as em doces, geleias e polpas.
- Fibrarte – Embora não seja uma cooperativa, tem base associativa e operacional similar. É formada por artesãs do município de Missão Velha (CE), que trabalham com diversas técnicas de artesanato, incluindo crochê e biscuit, entre outros. Como matéria-prima, utilizam fibras de troncos de bananeira.
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