Na cana, primeira quinzena de março, a moagem de cana-de-açúcar na região Centro-Sul totalizou apenas 1,67 milhão de toneladas, de acordo com dados da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar). O fim do ciclo 2020/21 se aproxima, com uma moagem acumulada de 600,47 milhões de toneladas, 3,02% superior àquela obtida na safra anterior. O mix está em 46,16% para o açúcar e pode alterar apenas algumas casas decimais, visto que faltam os dados dos últimos 15 dias para o fechamento do ciclo. Já o ATR deve consolidar um aumento de 4,3%, já que alcançou 144,97 kg/tonelada contra 138,95 kg/tonelada da safra passada. A Unica estima que, até 15 de abril, 169 usinas devem iniciar sua operação para a próxima safra na região, contra 180 usinas registradas no mesmo período do ano passado.

De acordo com a Datagro, o próximo ciclo (2021/22) deve registrar um processamento de 586 milhões de toneladas, 3,5% inferior ao esperado para o atual ciclo (2020/21), com projeção de moagem de 607 milhões de toneladas. A diminuição da produção está relacionada às chuvas irregulares no Centro-Sul e precipitação 20% inferior à média em São Paulo. Com relação ao ATR, a nova safra da região Centro-Sul deve obter 141,20 kg por toneladas de cana, valor 2,4% inferior ao ciclo 2020/21. Finalmente, o mix deve ser levemente mais açucareiro que o atual, com 46,5% voltado para o adoçante.

A StoneX aponta uma moagem de 586,1 milhões de toneladas de cana (-2,6%) com ATR de 139,7 kg por tonelada, 3,5% inferior a 2020/21 com mix de 46,3% para o açúcar. A Archer estima 574 milhões de toneladas, 4,3% menor, devido ao clima. 

Uma análise feita pela Spark Inteligência mostrou que o setor sucroenergético demandou, em 2020, 3,8% a menos em defensivos para a cultura em dólar do que em 2019; foram US$ 1,4 bilhão em produtos. No entanto, os valores em reais apontam um aumento de 7,6% nas vendas, de R$ 5,5 bilhões para R$ 5,9 bilhões. A baixa no resultado em dólar pode ser explicada pela desvalorização da moeda brasileira ao longo de 2020. Entre as categorias de defensivos, os herbicidas representaram 53% do total em 2020; seguido pelos inseticidas, com 39%; dos reguladores de crescimento, com 4%, e dos fungicidas, com 3%.

Um estudo feito pela Esalq-USP mostrou que a conversão de áreas de pastagens degradadas em cultivo de cana-de-açúcar pode remover entre 1 e 2 toneladas de carbono por hectare a mais em um ano, além de contribuir para a recuperação do solo. Segundo os pesquisadores, a conversão de 1% da área de pastagens degradadas no Brasil seria suficiente para aumentar a produção de cana em 20%, fora o incentivo à expansão na oferta de biocombustíveis nos mercados interno e externo. Apenas 0,6% do aumento de áreas para cana-de-açúcar se deu em vegetação nativa nas últimas décadas, enquanto mais de 70% foram em áreas de pastagens.

Outro estudo feito por pesquisadores da Embrapa Territorial (Evaristo de Miranda e Paulo Martinho), aponta que entre 2009 e 2019, a área cultivada com cana-de-açúcar cresceu 14,3% no país. 43 microrregiões respondem por 75% da produção em 2019, o que antes eram 45 microrregiões. São Paulo continua sendo o principal estado produtor, mas perdeu participação para os demais, mesmo com aumento na produção: antes era 56,3% e agora 54,8%. Por outro lado, os cinco maiores estados produtores (SP, MG, PA, GO e AL) ampliaram de 81,9% (2009) para 86,6% da produção total nacional. Por fim, a produtividade teve queda de 4,7% no período, passando de 78,2 para 74,5 toneladas por hectare, em função da descapitalização das usinas nos últimos anos frente às crises enfrentadas pelo setor.

No açúcar, de acordo com a Unica, a produção açucareira da região Centro-Sul alcançou o volume de 38,28 milhões de toneladas, valor que supera o recorde obtido na safra 2017/18 de 35,89 milhões de toneladas, representando ainda um acréscimo de 44,29% em relação ao montante produzido no ciclo passado.

Considerando os últimos doze meses (mar 2020 – fev 2021), as exportações do adoçante brasileiro totalizaram 31,6 milhões de toneladas, crescendo 69,2% frente ao mesmo período anterior. O preço médio, por sua vez, esteve 1,3% inferior.

As usinas brasileiras já fixaram o preço de 85,75% do açúcar a ser exportado no ciclo 2021/22 (dados até fevereiro), segundo estimativa da Archer Consulting. Por sua vez, a Datagro estima que 80% a 82% das exportações já estejam travadas a um preço médio de R$ 1.480 por tonelada. No mesmo período do ano anterior, o volume fixado era de, aproximadamente, 64,7% da safra 2020/21. Dessa forma, as agroindústrias têm aproveitado os preços e adiantado o travamento.

Segundo o Rabobank, a safra 2020/21 deve registrar um déficit de 2,8 milhões de toneladas de açúcar e um superávit de 1,5 milhão de toneladas no ciclo seguinte. Segundo o banco, a Austrália, a Tailândia e a União Europeia devem recuperar suas produções na safra 2021/22. Para o Brasil, a entidade estima uma moagem de 575 milhões de toneladas (-5,0%) e um mix de produção de 47% para o açúcar.

Já a Datagro estima produção de açúcar no Brasil de 36,7 milhões de toneladas para a próxima safra (2021/22), queda de 4,7% frente ao ciclo anterior. A produção do adoçante só não será mais afetada porque um volume considerável de açúcar a ser exportado já está com preços fixados. Com isso, o mix deve ficar em 46,5% para açúcar. Já na perspectiva global, a Datagro projeta uma safra 2020/21 deficitária em 1 milhão de toneladas, enquanto que no próximo ciclo é esperado leve superávit de, aproximadamente, 1 milhão de toneladas.

A estimativa da Archer é de 35,05 milhões de toneladas de açúcar em 2021/22, praticamente 3,3 milhões de toneladas a menos que a safra 20/21. A StoneX projeta 36,1 milhões de toneladas na safra 2021/22, 5,8% menor que a safra anterior, motivada por chuvas 25% abaixo da normalidade para o período.

Um estudo divulgado pela trading inglesaCzarnikow apontou que pode haver um choque de oferta de açúcar no mercado global na safra 2022/23. Segundo a organização, que analisou as próximas cinco safras para o setor, o fato recente da OMC (Organização Mundial do Comércio) contestar os subsídios aplicados pelo governo da Índia, podem levar à redução ou até a extinção da ferramenta. Além disso, o governo indiano tem estimulado a indústria local na instalação de destilarias para produção de etanol, após a aprovação da mistura do biocombustível à gasolina em 10% em 2022 e 20% até 2025.

Ainda no mercado internacional, a maior produtora de açúcar da Europa, a Sudzucker, anunciou lucros operacionais na casa dos 230 milhões de euros, quase que o dobro dos 116 milhões do ano anterior. Recentemente, a empresa havia fechado fábricas na Alemanha, França e Polônia como estratégia para reduzir os custos da companhia.

A Copersucar anunciou a compra integral da Alvean, joint venture formada entre a cooperativa e a Cargill, que lidera o mercado global de açúcar com 20% de participação total. Após a compra dos outros 50%, que está sob avaliação do Cade, a Alvean deve seguir como uma empresa independente e com gestão autônoma, fortalecendo ainda mais o seu negócio com o adoçante. Em 2020, a Copersucar representou 18% de todos os títulos de CBios comercializados, o que foi suficiente para que 3,1 milhões de toneladas de carbono deixassem de ser emitidas na atmosfera; o mesmo que seria assimilado por 22 milhões de árvores.

No etanol, dados consolidados da Unica revelam uma produção de quase 30 bilhões de litros do biocombustível, volume 8,56% inferior ao do ciclo 2019/20. Do volume total produzido, o etanol de milho representou 8,1%, com volume de 2,42 bilhões de litros produzidos a partir do cereal, um aumento de 60,85% em relação ao último ciclo.

A comercialização de etanol pelas usinas da região Centro-Sul alcançou 2,45 bilhões de litros no mês de fevereiro, sendo 93% destinado ao mercado doméstico e 7% para exportações. No mercado doméstico, o anidro vendeu 731,61 milhões de litros, caindo 0,57% frente ao mesmo mês de 2020, enquanto foram vendidos 1,54 bilhão de litros (-0,30%) de hidratado.

As exportações de etanol dos últimos doze meses (mar 2020 – fev 2021) já somam 2,75 bilhões de litros, com crescimento de 42,4% em relação ao período anterior. No entanto, os preços em dólar estão quase 15% inferiores.

Para a safra 2021/22, a Datagro estima produção de etanol em 29,40 bilhões de litros, o que deve evidenciar queda de 4,1% sobre 2020/21. A StoneX projeta a safra 2021/22 em 25,8 bilhões de litros, 7,5% menor que a anterior. Seriam 16,6 bilhões de litros de hidratado, 12% a menos e, no anidro, 9,2 bilhões de litros, 2,1% maior. No total, com o etanol de milho teríamos 29 bilhões de litros.

A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) divulgou as metas de comercialização de CBios para 2021, que será de 24,86 milhões de títulos. Desse total, a BR Distribuidora deve comprar 26,3% (6,55 milhões de títulos), seguida pela Ipiranga, com 19% (4,71 milhões de títulos), e da Raízen, com 17,3% do total (4,3 milhões de títulos). Segundo o MME (Ministério de Minas e Energia), na segunda quinzena de março, 11,3 milhões de títulos de CBios já estavam em negociação na B3, o que representam 46% da meta para o ano. O Renovabio deve ganhar ainda mais força nos próximos anos em vista da regulação de precificação do carbono como commodity global, o que deve acontecer durante a COP-26, na Escócia, em novembro deste ano.

Para concluir, os cinco principais fatos para acompanhar em abril na cadeia da cana:

  1. Observar o consumo de etanol hidratado com estes novos preços e a política de isolamento, que reduz o consumo de combustíveis. Ao fechar esta coluna, pelos dados da SCA, o litro do hidratado estava em R$ 2,88/l com impostos nas usinas, e o anidro a R$ 2,65/l. Tivemos grande queda nestes últimos 30 dias;
  2. O barril do petróleo tipo Brent estava em US$ 62, ficando praticamente estável no mês. Observar seu comportamento agora em abril para saber os preços da gasolina;
  3. O déficit de açúcar: ao fechar a coluna, o açúcar estava em 15,26 cents/libra peso na tela de maio de 2021. O consumo mundial deve aumentar com a vacinação e o crescimento econômico mundial, e a oferta maior deve vir do Brasil mesmo;
  4. Os efeitos do clima sobre o canavial 2021/22, que está muito seco, e deve trazer perdas;
  5. As exportações de açúcar do Brasil, que estão muito fortes, e os preços para o mercado interno que vêm se mantendo.

Valor do ATR: No início da safra tivemos algumas quedas no valor do ATR: abril com R$ 0,70/kg; maio com R$ 0,69/kg; junho em R$ 0,68/kg; e julho em R$ 0,676/kg. No entanto, de agosto para cá, observamos um aumento do indicador: agosto em R$ 0,679/kg; setembro em R$ 0,687/kg; outubro com R$ 0,70/kg; novembro com R$ 0,71/kg e dezembro fechando com R$ 0,729/kg. Em janeiro de 2021 tivemos o ATR valendo R$ 0,86/kg, em fevereiro R$ 0,93/kg e, em março, o valor de R$ 1,03. Com isso, chegamos a um acumulado de quase R$ 0,78/kg.

Vamos aos nossos fatos relevantes do mês de janeiro e as perspectivas para fevereiro. Na primeira quinzena de fevereiro, a moagem de cana-de-açúcar foi de apenas 486,9 mil toneladas. No acumulado da safra, a moagem chegou a 598,12 milhões de toneladas, 3,22% maior que o volume registrado no mesmo período da safra anterior. Até o dia 16 de fevereiro ainda estavam em operação três usinas de cana-de-açúcar, cinco usinas full de milho e duas do modelo flex. Falta apenas este mês de março para fecharmos oficialmente a safra.

No terceiro levantamento da Conab para a cana-de-açúcar, a organização indica, no comparativo com a safra passada, um aumento de 3,5% na produção total da cultura (642,7 milhões de toneladas), em uma área 1,9% maior (8,6 milhões de hectares) e uma produtividade 1,5% superior para os canaviais (77,29 toneladas por hectare). Para os produtos do setor, a Conab estima, no açúcar, uma produção recorde de 41,84 milhões de toneladas, volume 40% maior que o registrado na safra 2019/20; e no etanol, um volume de 32,85 milhões de litros produzidos até o final da safra atual (68,4% do hidratado e 31,6% do anidro). Lembrando sempre que a Conab considera o dado de todo o Brasil.

Já o levantamento da Archer Consulting, para o Centro-Sul estima uma produção de 578 milhões de toneladas de cana-de-açúcar no ciclo 2021/22, o que deve representar queda de 4% frente à safra anterior. Para o açúcar são esperadas 35,3 milhões de toneladas, 3 milhões a menos que em 2019/20; enquanto que no etanol, a produção deve ser de 27,4 bilhões de litros, 2 bilhões de litros a menos.

Na linha dos créditos verdes, a Socicana (Associação dos Fornecedores de Cana de Guariba, SP), conseguiu R$ 4,6 milhões para oferecer a taxas 20% menores aos produtores integrados, desde que estes tenham certificações de sustentabilidade ambiental. Valem os programas Bonsucro, RSB e o Top Cana, da própria associação. A operacionalização se dá pela cooperativa de crédito Coopecredi. Mais uma nota em direção à sustentabilidade.

Foi aprovada pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) a operação da Raízen e Biosev. Teremos um gigante com 35 usinas e mais de 100 milhões de toneladas, totalizando 1,3 milhão de hectares. A BP Bunge Bioenergia espera capturar, já no primeiro ano safra de operações após a fusão, cerca de R$ 1 bilhão face as sinergias geradas pela joint venture. Um dos grandes pontos de destaque está na comercialização do açúcar: a empresa já fixou 80% de todas as suas vendas para a safra 2021/22, e 40% para 2022/23. Com o fortalecimento também da Copersucar, estamos vendo um setor cada vez mais aglutinado e eficiente.

No açúcar, segundo a Unica (União da Indústria de Cana-de-açúcar), a produção de açúcar na safra 2020/21 chegou ao acumulado de 38,21 milhões de toneladas; um crescimento de 44,25% frente aos 26,49 milhões de toneladas fabricadas no mesmo período do ciclo anterior. Incrível!

As vendas externas de açúcar no mês de janeiro totalizaram US$ 625,11 milhões, crescendo 31,2% em volume e alcançando 2,1 milhões de toneladas. No total acumulado da safra, para as exportações, o levantamento da Conab aponta que entre abril de 2020 e janeiro de 2021, 28,43 milhões de toneladas de açúcar foram exportados pelo Brasil, um aumento de 50% em comparação à safra 2019/20. Uma verdadeira invasão de açúcar brasileiro.

No mercado global, a OIA (Organização Mundial do Açúcar) ampliou suas projeções para o déficit de açúcar no mercado global na safra 2020/21. Na comparação com a projeção anterior, a produção global foi estimada em 169 milhões de toneladas (-1,3%) e o consumo em 173,8 milhões de toneladas (-0,4%). A redução se deu especialmente pela baixa na safra de alguns países como Irã (-29,7%), Paquistão (-8,3%) e Tailândia (-4,8%). Os três países devem produzir 1,3, 5,5 e 7,8 milhões de toneladas, respectivamente. Bom para os preços.

Na Índia, as exportações de açúcar devem totalizar 4,3 milhões de toneladas no ciclo atual, recuando 24% frente aos 5,7 milhões de toneladas da temporada 2019/20. A queda nas exportações é consequência de problemas logísticos enfrentados nos portos do país asiático, com congestionamento e ausência de contêineres para embarcação. Por outro lado, a produção indiana deve totalizar 29,9 milhões de toneladas em 2020/21, crescendo 9,12% frente ao ciclo anterior.

O aumento no déficit global de açúcar, a falta de chuva nas principais regiões produtoras, o atraso na safra e até mesmo a escassez na disponibilidade de contêineres; são alguns dos fatores que contribuíram para a elevação dos preços. Na bolsa de Nova York, os vencimentos de março/21 fecharam em 17,89 centavos de dólar por libra-peso depois de quase baterem os 18,00 centavos. O valor surpreende e não era esperado nem mesmo pelo mais otimista dos analistas e traders do mercado, mas já recuou para 16 centavos. Se permanecer aí, com o atual câmbio, será bom ao setor.

Porém, segundo a Archer, praticamente 80% do açúcar da safra 2021/22 estão vendidos e fixados a 13.13 centavos de dólar por libra-peso. A São Martinho já fixou os preços de 703 mil toneladas de açúcar, o que representa 61% de sua cana própria, a um preço médio de R$ 1.530/tonelada para a safra 2021/22. Além disso, 100 mil toneladas (ou 9% de sua cana própria) também já foram fixadas a um preço médio de R$ 1.745/tonelada para o ciclo 2022/2023. Os preços do açúcar no mercado doméstico bateram patamares recordes nos últimos meses devido a cotação do dólar e quebra de safra na Tailândia.

No etanol, segundo a Unica, a produção acumulada alcançou 29,68 bilhões de litros até a primeira quinzena de fevereiro; volume 8,54% menor que os 32,45 bilhões de litros fabricados no mesmo período da safra 2019/20. Do total produzido até aqui, 19,97 bilhões são de hidratado (61,5%) e 9,71 bilhões de litros de anidro (38,5%). As vendas de etanol chegaram a 27,21 bilhões de litros até o fechamento desta coluna; redução de 8,64%. As exportações do biocombustível somam 2,38 bilhões de litros, uma alta de 43,0% em comparação ao ciclo anterior. Segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), mesmo com estes preços atuais do etanol, as médias ainda são menores que as da safra passada, em cerca de 1,5%.

De acordo com dados fechados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) de 2020, o consumo de combustíveis leves foi de 49,3 bilhões de litros de gasolina equivalente, queda de 8,6% em comparação a 2019. No etanol hidratado, foram consumidos 19,26 bilhões de litros, o que equivale a uma redução de 14,58%, enquanto que na gasolina a redução na demanda foi de 6,13%. Por outro lado, o diesel fechou em alta de 0,30% frente a 2019, com 57,47 bilhões de litros consumidos.

As exportações de etanol atingiram US$ 90,86 milhões em janeiro, crescimento de 110,9% frente ao mesmo mês de 2020. Os Estados Unidos e a Coreia do Sul foram os principais destinos do etanol brasileiro, respondendo por 32,8% e 27,4% do montante exportado, respectivamente.

Apesar das quedas de consumo de hidratado, o setor sucroenergético mantém as apostas elevadas no mercado do biocombustível. Segundo a ANP, há 17 usinas em construção, o que deve adicionar um volume na oferta diária de até 6,77 milhões de litros; além de outras 23 em processo de expansão (20 de cana, 2 de milho e 1 de palha da cana), sendo que estas devem incorporar outros 8,6 milhões de litros por dia.

Para o preço do etanol na safra 2021/22, a Archer Consulting espera uma média de R$ 2,7 por litro, podendo chegar a picos de R$ 3.

De acordo com a Unem (União Nacional do Etanol de Milho), a produção de etanol de milho na safra atual está estimada em 2,65 bilhões de litros, enquanto para 2021/22 são esperados 3,3 bilhões de litros. No ciclo atual, com os dados compilados até a primeira quinzena de fevereiro, a Unica aponta para uma produção acumulada de 2,20 bilhões de litros no ciclo atual. Os investimentos vêm sendo anunciados e isto será muito bom ao Brasil.

Para concluir com outra boa notícia, o Reino Unido anunciou que irá aumentar a mistura de etanol à gasolina de 5% para 10% a partir de setembro de 2021. Com isso, os britânicos buscam cumprir com suas metas de redução de emissões de gás carbônico em 68% até 2030. Com a medida, o governo estima reduzir as emissões em 750 mil toneladas por ano. Pode ser boa oportunidade de exportação ao Brasil.

Para concluir, os cinco principais fatos para acompanhar em março na cadeia da cana:

  1. Observar o consumo de etanol hidratado com estes novos preços. Ao fechar esta coluna, pelos dados da SCA, o litro do hidratado estava em R$ 3,57/l com impostos nas usinas e o anidro a R$ 3,12/l. O barril do petróleo tipo Brent estava em US$ 65, um incrível aumento nos últimos 30 dias;
  2. O déficit de açúcar: ao fechar a coluna, o açúcar estava em 16 cents/libra peso na tela de maio de 2021. O consumo mundial deve aumentar com a vacinação e o crescimento econômico mundial;
  3. Os efeitos do clima sobre o canavial 2021/22, que vem se recuperando após um início difícil nos meses de setembro a novembro. Porém, o mês de fevereiro já foi mais seco;
  4. As exportações de açúcar do Brasil e os preços para o mercado interno;
  5. Se existirá alteração na política de preços da Petrobrás e observar o que deve acontecer com o câmbio nesta recente crise política.

Valor do ATR

No início da safra tivemos algumas quedas no valor acumulado do ATR: abril com R$0,70/kg; maio com R$0,69/kg; junho em R$0,68/kg; e julho em R$0,676/kg. No entanto, de agosto para cá, temos observado um aumento do indicador: agosto em R$0,679/kg; setembro em R$0,687/kg; outubro com R$0,70/kg; novembro com R$0,71/kg e dezembro fechando com R$0,729/kg. Em janeiro de 2021 tivemos o ATR valendo R$0,86/kg e. em fevereiro, incríveis R$0,93/kg. Com isso, chegamos a um acumulado de R$0,76/kg.

Marcos Fava Neves é Professor Titular dos cursos de Administração da USP em Ribeirão Preto e da EAEASP/FGV em São Paulo. Especialista em  planejamento estratégico do agronegócio.

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Escrito por sicoobcredicitrus

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