A contratação de um seguro de vida e acidentes pessoais requer uma avaliação prévia, para evitar que se gaste mais, pagando por coberturas pouco úteis, ou que se economize a ponto de deixar riscos importantes descobertos.

A Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) dá a seguinte orientação: o melhor critério não é contratar o seguro com mais coberturas pelo menor prêmio (preço pago pela apólice), mas construir uma proteção em três camadas: o que precisa ser obrigatoriamente protegido; o que pode representar um impacto financeiro relevante; e o que é conveniente, mas pode ser dispensado se elevar muito o prêmio.

Essas questões permitem uma avaliação básica, que deve ser complementada com a comparação de propostas com o mesmo tipo de cobertura ou o mesmo capital segurado, além da verificação de carências, franquias, exclusões e critérios de reajuste.

Que coberturas merecem prioridade?

No seguro de vida e acidentes pessoais, a seguinte hierarquia é aceita como a mais adequada:

1. Morte — natural e acidental
É a proteção central de um seguro de vida. Diferentemente da cobertura de morte acidental, a cobertura de morte pode abranger tanto causas naturais quanto acidentes.

2. Invalidez permanente por acidente
É especialmente relevante para quem depende da própria capacidade de trabalhar. É importante observar que a invalidez parcial pode gerar indenização proporcional ao grau de perda funcional, conforme a tabela prevista no contrato. Assim, por exemplo, para uma apólice de seguro de acidentes pessoais com capital segurado de R$ 150 mil para invalidez permanente por acidente, se o segurado sofrer um acidente que provoque a perda total e permanente da função de um braço, e a tabela contratual estabelecer 40% do capital segurado para essa perda funcional, a indenização será de R$ 60 mil.

3. Invalidez decorrente de doença
Pode ser muito importante, mas, nesse caso, é preciso distinguir invalidez laborativa de invalidez funcional. Não são equivalentes e os critérios para caracterização podem ser bastante diferentes. Invalidez laborativa significa perda de capacidade para exercício de atividade profissional, como ocorreria com um piloto de avião que perdesse a visão de um dos olhos. Não mais poderia pilotar, mas teria condições de realizar outras atividades. Invalidez funcional significa perda de capacidade de realizar atividades essenciais da vida cotidiana, como caminhar.

4. Doenças graves
Essa pode ser uma cobertura interessante se o capital pago no diagnóstico ajudar a enfrentar despesas, tratamento ou perda de renda decorrentes desse problema. Mas é fundamental verificar quais doenças estão cobertas e quais critérios precisam ser preenchidos.

5. Diária por incapacidade temporária
Tem importância maior para profissionais autônomos, empresários e pessoas cuja renda depende diretamente da capacidade de trabalhar.

6. Auxílio funeral
É uma cobertura de baixo valor relativo em muitos produtos, mas deve ser comparada com o que já existe. Não faz sentido pagar caro por ela apenas porque vem “embutida” no pacote.

7. Internação e despesas médicas por acidente
Podem ser úteis, mas devem ser confrontadas com a existência de plano de saúde e com os limites de reembolso.

Simulador de escolha

Com base nas recomendações da SUSEP e com auxílio da Inteligência Artificial (Microsoft Copilot), foi criado o simulador de escolha do seguro de vida e acidentes pessoais publicado abaixo. São 10 perguntas, para as quais não existem respostas certas ou erradas, pois o objetivo é identificar quais situações poderiam causar maior impacto financeiro para você ou sua família.

1. Se você falecesse hoje, alguém dependeria financeiramente de você?

  1. Sim, uma ou mais pessoas dependem significativamente da minha renda;
  2. Sim, mas parcialmente;
  3. Não há dependentes financeiros.

2. Por quanto tempo sua família conseguiria manter o padrão de vida atual sem sua renda?

  1. Menos de 6 meses;
  2. Entre 6 meses e 2 anos;
  3. Mais de 2 anos ou indefinidamente.

3. Você possui dívidas ou compromissos financeiros que poderiam pesar sobre sua família em caso de morte?

  1. Sim, e seriam difíceis de quitar;
  2. Sim, mas seriam administráveis;
  3. Não ou seriam facilmente quitados.

4. Sua renda depende diretamente da sua capacidade de trabalhar?

  1. Sim. Se eu não puder trabalhar, minha renda praticamente desaparece;
  2. Parcialmente. Tenho alguma fonte de renda ou reserva alternativa;
  3. Não. Minha renda não depende do trabalho ou tenho outras fontes suficientes.

5. Se você sofresse uma invalidez permanente por acidente, teria recursos suficientes para se adaptar à nova situação?

  1. Não. Isso poderia comprometer seriamente minha situação financeira;
  2. Teria alguma reserva, mas provavelmente seria insuficiente;
  3. Sim. Tenho patrimônio, renda ou outra proteção suficiente.

6. Você conseguiria manter sua renda se uma doença ou acidente o impedisse temporariamente de trabalhar?

  1. Não. Minha renda seria fortemente prejudicada;
  2. Conseguiria por alguns meses;
  3. Sim. Tenho reserva, renda alternativa ou outra proteção.

7. Uma doença grave poderia provocar um impacto financeiro importante para você? (considere despesas não cobertas pelo plano de saúde, medicamentos, adaptações, deslocamentos e eventual perda de renda)

  1. Sim, e eu teria dificuldade para absorver esses custos;
  2. Poderia haver impacto, mas eu conseguiria administrar;
  3. Não seria um problema financeiro relevante.

8. Você já possui alguma proteção que cubra esses riscos? (considere seguro de vida, acidentes pessoais, plano ou seguro de saúde, previdência, seguro contratado pela organização em que trabalha, entre outros)

  1. Não tenho ou não sei exatamente o que tenho;
  2. Tenho algumas coberturas, mas não sei se são suficientes;
  3. Sim. Conheço as coberturas e elas atendem às minhas principais necessidades.

9. Ao contratar um seguro, qual é sua principal preocupação?

  1. Garantir a segurança financeira da minha família;
  2. Proteger minha própria renda e capacidade de trabalho;
  3. Ter uma proteção ampla contra diferentes riscos.

10. Quanto você estaria disposto a pagar para manter essa proteção?

  1. Quero gastar o mínimo possível, priorizando apenas os riscos essenciais;
  2. Aceito pagar um pouco mais para ampliar a proteção dos riscos importantes;
  3. Estou disposto a pagar mais por uma proteção abrangente, desde que faça sentido para meu perfil.

Como interpretar o resultado

Conte o número de respostas A, B e C.

Se a maioria for de respostas A — Seu perfil indica que existem riscos que poderiam provocar forte impacto financeiro em sua vida pessoal ou familiar. Vale dar prioridade a coberturas como: morte, especialmente quando existem dependentes financeiros; invalidez permanente por acidente; invalidez decorrente de doença, quando aplicável ao seu perfil; incapacidade temporária, principalmente para quem depende da própria renda; doenças graves, quando o diagnóstico poderia gerar despesas e perda de renda relevantes. O objetivo não é contratar tudo, mas proteger primeiro os riscos que você não teria condições de absorver sozinho.

Maioria de respostas B — Você possui alguma capacidade de absorver perdas, mas determinados acontecimentos ainda poderiam comprometer sua situação financeira. O ideal é buscar uma proteção intermediária, priorizando: morte; invalidez; incapacidade temporária, quando houver dependência da renda do trabalho; e outras coberturas de acordo com suas necessidades. Compare cuidadosamente o custo de cada cobertura antes de incluí-la.

Maioria de respostas C — Você aparentemente possui maior capacidade financeira para absorver determinados riscos ou já conta com outras formas de proteção. Nesse caso, pode fazer sentido contratar um seguro mais enxuto, concentrado nos riscos de maior impacto e menor capacidade de absorção. Evite pagar por coberturas que duplicam proteções que você já possui.

Análise da apólice é essencial

O simulador acima é apenas uma ferramenta de orientação. Antes de contratar, compare capitais segurados, coberturas, carências, franquias, exclusões, critérios de indenização, vigência e reajustes.

Um seguro com mais coberturas não significa necessariamente um seguro melhor, pois este é o que oferece proteção adequada aos riscos realmente relevantes para você, dentro de um prêmio que possa ser mantido ao longo do tempo.

Recomendação final: conte com o apoio e a assessoria do ou da gerente de negócios responsável por sua conta na Cooperativa. Ele ou ela tem a devida capacitação para oferecer a melhor orientação para cada caso e esclarecer eventuais dúvidas

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