O que esperar do agro em novembro?

Segue nossas reflexões dos fatos e números do agro em setembro/outubro e o que acompanhar em novembro. E em mais um mês iniciamos com a boa notícia da recuperação da economia! Em setembro, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) foi de -0,3%, o 3° mês seguido de deflação, o que pouco temos visto em outros países do mundo. Em 2022, o IPCA acumulado está 4,09% maior; e nos últimos doze meses, 7,17% superior, apesar de estar abaixo dos doze meses anteriores (era de 8,73%). Entre as nove categorias pesquisadas, o grupo de Transportes foi o que apresentou maior queda, de 1,98%; seguido da Comunicação (-2,08%) e de Alimentação e Bebidas (-0,51%). Nos alimentos, as principais quedas foram: leite longa vida (-13,7%) e óleo de soja (-6,27%). Do lado das altas, tivemos os Vestuários (+1,77%) e Despesas Pessoais (+0,95%) como os dois grupos de maior variação positiva.

E ainda no cenário econômico, o boletim Focus do Banco Central do Brasil de 24 de outubro, trouxe as seguintes previsões para os indicadores da economia: o IPCA está previsto em 5,60% ao final de 2022 e 4,94 ao final de 2023; o PIB deve crescer 2,76% este ano e 0,63% no próximo, e segue melhorando a cada relatório; o câmbio deve fechar em R$ 5,20 em 2022 e 2023; e a Selic deve ficar em 13,75% ao final de 2022 e em 11,25% no ano que vem.

No agro mundial e brasileiro Em setembro, o índice de preços dos alimentos da FAO (Agência das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) registrou a 6ª queda mensal consecutiva, com o indicador alcançando 136,3 pontos, 1,0% menor do que o registrado em agosto (137,9). Apesar da queda, os preços ainda seguem 5,5% maiores do que setembro do ano passado. O principal motivador da redução foi o óleo vegetal, que registrou retração de 6,6%. Já o açúcar, laticínios e carnes caíram 1 ponto percentual cada. Na outra ponta, os preços de cereais cresceram 1,5% no mês, motivados pela alta de 2,2% no trigo, graças as novas tensões ocorridas entre Rússia e Ucrânia, além de seca na Argentina e Estados Unidos.

No Brasil, a 1ª estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra 2022/23 de grãos, que iniciou há algumas semanas, a produção foi estimada em 312,4 milhões de t, 15,3% superior a produção de 2021/22 ou 41,4 milhões de t adicionais em apenas um ano! Entre os principais cultivos, a soja se destaca com o maior volume: serão 152,4 milhões de t, 21,3% superior. No milho, a oferta deve ser de 126,9 milhões de t (+2,5%), sendo que o cultivo em 1ª safra vai entregar 28,7 milhões de t (+14,6%), na safrinha serão 96,3 milhões de t (+12,4%) e na 3ª safra outros 1,9 milhão de t (-8,5%). No algodão, a expectativa é de uma oferta de pluma em 2,92 milhões de t, crescimento de 14,7%. Já as culturas de inverno devem somar 11,2 milhões de t (+19,3%), puxadas especialmente pelo trigo que deve entregar 9,4 milhões de t (+21,9%); os altos preços do cereal e as incertezas no mercado global têm sido vistos de forma oportuna pelos agricultores brasileiros. Fica aqui, desde já, nossa torcida para que todos estes números se confirmem! Como de costume, todos os meses traremos aqui as próximas 11 estimativas, esperando validar o bom desempenho em setembro de 2023!

Com relação ao progresso da safra 2022/23 até o dia 15 de outubro, também divulgado pela Conab, as operações de plantio de soja e milho verão estão a todo vapor, já tendo alcançado 21,5% e 30,9% de suas respectivas áreas. A variação é mínima frente ao ano anterior, quando a semeadura da soja totalizava 23,7% e a do milho verão 32,1%. O ritmo das operações é bom e, se mantido conforme a expectativa, teremos uma janela segura para o milho de segunda safra. Por sua vez, a colheita do trigo atingiu 30,6%, o que reflete um ritmo mesmo acelerado que o do mesmo período de 2021 de 38,3%.

Em nível global, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou suas novas estimativas para os grãos em 2022/23 indicando que o milho deve produzir 1,168 bilhão de t, redução de 0,3% em relação a estimativa de setembro; ou 4 milhões de t a menos. Os dois principais produtores que tiverem seus dados revisados foram: a União Europeia em função da forte seca, que viu a estimativa de produção cair de 58,8 milhões de t (setembro) para 56,2 (outubro) e como consequência, as previsões para importações de milho pelo bloco foram elevadas para 21 milhões de t (antes 20); e as exportações foram reduzidas de 4 para 3,5 milhões de t; e os Estados Unidos, que tiveram a oferta reduzida de 354,2 para 352,9 milhões de t. Com este novo resultado, a produção global de milho deve ser 4,0% menor nesta safra do que a passada; são quase 50 milhões de t a menos. No Brasil, a estimativa de produção se mantém em 126 milhões de t. Estoques finais foram também revistos e estão agora indicados em 301,2 milhões de t, 2% inferior a 21/22.

No caminho contrário, o USDA reviu para cima a estimativa da produção global de soja: de 389,8 (setembro) para 391 milhões de t (outubro), o que deve significar uma colheita 10% maior; ou 35,3 milhões de t adicionais da oleaginosa. No Brasil, principal produtor, a produção deve ser ainda maior do que o esperado e agora está prevista em 152 milhões de t (era 149 em setembro), aumento de 25 milhões de t em apenas uma safra (+19,7%). Nos Estados Unidos, a produção foi revista para baixo e está agora indicada em 117,4 milhões de t, 3,4% inferior ao do ciclo passado. Já os estoques finais da soja devem fechar 2022/23 com 100,5 milhões de t, alta de 8,8%.

Os EUA aproveitaram a janela climática favorável neste último mês para acelerar as operações de colheita. Na soja, 63% da safra norte-americana já havia sido colhida até a data de 16/10, ao passo que esse valor era de 58% no mesmo período de 2021. No levantamento, evidenciou-se que 59% das lavouras da oleaginosa estão em condições boas ou ótimas. Já no milho, a colheita segue um pouco atrasada no comparativo com o ciclo anterior: 45% atualmente contra 50% da safra passada. Com relação à condição das lavouras do cereal, 60% delas foram apontadas como boas ou ótimas. Por fim, a colheita de algodão já alcançou 37%, estando 10 pontos percentuais acima do avanço do ciclo passado (27%). 64% das lavouras da fibra estão em condições boas ou ótimas, revertendo um cenário considerado crítico até o mês passado.

De volta ao Brasil, no mercado nacional de soja, o processamento da oleaginosa deve ficar em torno de 49 milhões de toneladas em 2022, segundo estimativas da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). No ano passado, a moagem do grão somou 47,8 milhões de toneladas; ou seja, o crescimento neste ano deve ser de 2,5%. Em relação a produção, a entidade atualizou seus números indicando que foram produzidas 127 milhões de toneladas este ano (-8,6%), enquanto que as importações passaram para 500 mil toneladas (-42,1%). Já as exportações estão com a projeção mantida no mesmo patamar, em 77 milhões de toneladas. Segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a comercialização da safra 2021/22 no estado alcançou 90% ao final de setembro, avanço de 2,8 pontos percentuais no comparativo com agosto. Apesar da alta, os preços da oleaginosa caíram 1,35% em relação a agosto, fechando em média a R$ 159,37/sc. Para o ciclo 2022/23, o Imea indica que 28,75% da produção do estado já foi comercializada (a previsão é de 41,8 milhões de t), a preços médios de R$ 149,41/sc, 1,8% superiores aos negociados em agosto.

No mês de setembro, a Conab também divulgou a 3ª estimativa para a safra brasileira de café em 2022. Com a colheita praticamente finalizada no país, os números refletem a consolidação para os principais indicadores no setor. Em relação a produção, o relatório indicou 50,4 milhões de sacas (60kg), uma alta de 6% frente ao ciclo anterior. Apesar do crescimento, a expectativa inicial era bem maior, já que 2022 é um ano característico para bienalidade positiva da produção. Em Minas Gerais, principal estado produtor, deve haver uma queda de 0,5% na produção de café em 2022, com 22 milhões de sacas (60 kg). A redução é resultado dos impactos que o clima (especialmente as geadas e a seca) trouxe aos cafezais, o que prejudicou de forma expressiva a produtividade.  As regiões mais afetadas no estado foram Sul e Centro-Oeste, que registraram média de 19,7 sacas por hectare, quase 18% menor do que em 2021. Com isso, Minas Gerais deve fechar 2022 com queda de 4% na produtividade média do café, com 21,7 sacas por hectare.

As exportações de setembro do agronegócio brasileiro atingiram novo recorde para o mês, US$ 13,97 bilhões, sendo 38,4% superior à cifra do mesmo período de 2021, de acordo com estatísticas do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa). Esse resultado é atribuído ao aumento nos preços internacionais das commodities (+17,2%) e também ao maior volume de produtos embarcados (+18,1%), com destaque para o milho advindo de uma colheita recorde em 2021/22. Líder na pauta de exportação, o complexo soja foi responsável por vendas de US$ 3,95 bilhões (+24,2%), alcançando recorde para o mês de setembro, com preço médio do grão superando os US$ 600/tonelada. As carnes também consolidaram novo recorde de embarques para o mês com US$ 2,43 bilhões (+11,2%), sendo que a bovina rendeu US$ 1,32 bilhão (+11,1%); a de frango US$ 809,50 milhões (+13,2%); e a suína US$ 244,3 milhões (-4,5%). Na terceira colocação aparecem cereais, farinhas e preparações com comercialização de US$ 2,04 bilhões, impulsionada pelo milho, uma vez que o cereal apresentou volume recorde embarcado de 6,8 milhões de t, trazendo um resultado de US$ 1,91 bilhão (+258,7%). Na sequência, produtos florestais venderam US$ 1,50 bilhão (+30,2%) ao mercado externo, com valor recorde para o mês nas exportações de celulose. Por fim, o complexo sucroenergético comercializou US$ 1,48 bilhões (+52,4%), com destaque para o incremento das vendas de açúcar.

As importações do agronegócio totalizaram US$ 1,60 bilhão, refletindo alta de 27,8%. Assim, o saldo da balança comercial do setor alcançou US$ 12,37 bilhões em setembro, valor 40% maior que o de 2021.

Ainda dentro da temática do comércio internacional, o Brasil importou no mês setembro 85,67 mil t de defensivos agrícolas, um aumento de 72,3% frente ao mesmo mês de 2021. Em valores, o montante é de US$ 1,12 bilhão, sendo que US$ 251,83 milhões se referem apenas ao Glifosato.

Falando em pecuária, outubro também foi o mês de divulgação do relatório trimestral do USDA para as três principais cadeias de produção animal. Na carne bovina, o órgão atualizou a projeção da produção global em 2022 para 59,37 milhões de t (+ 1,7%), onde EUA devem produzir 12,82 milhões de t (+ 0,7%) e Brasil outros 10,35 milhões de t (+ 6,1%). O USDA também divulgou a previsão para 2023, onde estima uma queda na oferta global, que deve ser de 59,24 milhões de t, com os Estados Unidos produzindo 12,0 milhões de t (queda) e o Brasil 10,45 milhões de t (alta). Em relação as exportações, o Brasil deve fechar 2022 com 2,95 milhões de t (+ 27,2%) e subir para 2,975 milhões de t em 2023 (24,5% do mundo).

Na carne suína, a produção global deve fechar 2022 com alta de 2,0% na produção, com 109,8 milhões de t. A China, principal produtora, deve alcançar 51 milhões de t (+7,3%), seguida da União Europeia com 22,7 milhões de t (-3,8%). A escalada chinesa na produção deve continuar em 2023 e é resultado da recomposição dos rebanhos de suínos após a crise com a Peste Suína Africana (PSA) no país. Para o próximo ano, 52 milhões de t deverão ser produzidas no gigante asiático, enquanto que a União Europeia deve seguir em ritmo de queda, com 22,58 milhões de t estimadas. Já a produção total será de 110,97 milhões de t de carne suína em 2023. O Brasil deve manter sua produção praticamente estável em 2022 (4,35 milhões de t) e crescer um pouco no próximo ano, para 4,42 milhões de t.

Por fim, na carne de frango, o USDA estima que 2022 feche com 100,9 milhões de t produzidas (+ 0,4%), sendo que EUA vai entregar 20,8 milhões de t (+2,2%), Brasil 14,4 milhões de t (-0,6%) e China 14,3 milhões de t (-2,7%). Ainda sobre 2022, o Brasil, maior exportador, deve embarcar 4,63 milhões de t (+9,4%), das 13,6 milhões de t totais (ou seja, 34%). Para 2023, a produção global está estimada em 102,7 milhões de t; e o Brasil deve entregar 14,9 milhões de t, com exportações em 4,8 milhões de t.

Ainda sobre a cadeia do frango, o crescimento nos casos de gripe aviária tem preocupado produtores em diversos países. Nos Estados Unidos, o USDA informou que mais de 47 milhões de aves já foram mortas este ano por conta da doença. O principal estado norte-americano afetado com a doença é o Arkansas. Na Europa, o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC) reportou que 37 países do continente já registraram casos de gripe aviária, com mais de 50 milhões de aves já abatidas este ano. Segundo autoridades do setor, este já pode ser considerado o pior surto da doença desde 2015.

Na cadeia da citricultura, um fato que abalou o setor nas últimas semanas foi a passagem no furacão Ian na costa dos Estados Unidos, especialmente na região oeste do estado da Flórida. Com ventos de mais de 240 km/h e classificado na categoria 5, o furacão causou a queda de frutos em diversas regiões, impactando de forma expressiva a próxima safra de laranja no 2° principal estado produtor em nível global. Os impactos ainda estão sendo calculados pelos órgãos do setor.

Na revisão de outubro do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa), o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) em 2022 foi indicado em R$ 1,188 trilhão, valor que deve ser 0,6% menor do que o de 2021. A queda é explicada pelas condições negativas de clima na região sul ao longo da safra, o que prejudicou especialmente a cultura da soja, além da redução do VBP de cadeias da pecuária como a da carne bovina, da carne suína e do frango. Entre as cadeias agrícolas, o VBP deve somar R$ 821,2 bilhões (+0,9%) e nas da pecuária o indicador deve fechar 2022 com R$ 367,2 bilhões (-3,8%). As culturas com maior destaque em termos de crescimento do VBP em 2022 deverão ser o trigo (+37,8%), o café (+31,3%), o algodão (+26,2%) e o milho (+12,9%). Vamos seguir acompanhando!

No mercado de fertilizantes, a StoneX indicou que houve uma melhora na relação de compra dos principais adubos do mercado nos últimos 6 meses, com uma redução de preços de até 50% desde abril. No comparativo entre outubro de 2022 e outubro de 2021, temos: as cotações da ureia estão em US$ 648/t (-2,7%); do MAP (fosfato) em US$ 660/t (-8,2%); e do Potássio em torno de US$ 663/t (-13,3%). As cotações em questão consideram preços negociados no Porto de Paranaguá (PR). Ainda sobre fertilizantes, em julho, a entrega destes produtos para agricultores (por meio dos canais de distribuição) caiu 29,4% na comparação com julho de 2021: ao todo, foram 3,5 milhões de t entregues, de acordo com a Associação Nacional para a Difusão de Adubos (Anda). No acumulado do ano (janeiro a julho), 21,7 milhões de t de fertilizantes foram entregues no país, 9% a menos do que o mesmo período do ano passado.

E segundo dados da Fretebras, os fretes do agronegócio cresceram 33,2% no 1° semestre de 2022. Entre os produtos que registraram maior aumento no volume estão o trigo (+ 182,5%), o açúcar (+ 75,4%) e o milho (+ 64,7%). Por outro lado, o produto com maior volume transportado foi os fertilizantes, que responderam por 25,6% do total de cargas do setor.

No ramo de bioinsumos, durante a safra 2020/21, foram movimentados R$ 1,7 bilhão ou US$ 330 milhões com as negociações de bioprodutos no Brasil, aponta um estudo da Kynetec. De acordo com o relatório, 130 empresas estavam atuando no ramo de bioinsumos na safra em questão.

Estudo feito pelo Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) em parceria com o Valor Econômico mostrou que a adoção do Biometano no Brasil poderia levar a economia de até US$ 137 bilhões acumulados entre 2022 e 2031. A análise considerou o potencial total de produção de Biometano no país no lugar do diesel como fonte de combustível para abastecimento de veículos pesados. O relatório mostrou, ainda, que para substituir a importação do combustível fóssil por completo, a indústria de Biometano teria que alcançar 40 bilhões de litros anuais de capacidade até 2031; ou 112,9 milhões de metros cúbicos de biogás por dia.

Em outubro, algumas datas comemorativas também marcaram o mês, em especial no nosso setor! No dia 7 foi comemorado o “Dia Mundial do Algodão”, este importante agro-produto que soma de forma significativa para o agronegócio brasileiro. Parabéns a todos os cotonicultores e outros agentes que diariamente trabalham para valorização do algodão brasileiro. Um abraço especial ao time da Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores do Algodão) e a toda a equipe envolvida no projeto “Sou de Algodão”, que temos orgulho de integrar!

E fechando nossa análise mensal do agronegócio, trazemos as principais cotações em 24 de outubro para os produtos do setor. Na soja, para entrega em Cooperativa de São Paulo, temos: para entrega em nov/23, R$ 177,80/sc (60kg); para fev/23, R$ 161,30/sc; e para mar/23, R$ 160,00/sc. No milho, o preço físico fechou em R$ 86,00/sc e os futuros em: nov/22 em R$ 80,80/sc; e dez/22 com R$ 81,90/sc. Já no algodão, a cotação era de R$ 166,64 por arroba (base Cepea). Demais produtos do agro, tendo como base o Cepea/Esalq, apresentaram os seguintes preços: boi gordo em R$ 295,30/@; o açúcar cristal em SP em R$ 128,46/sc (50kg); e a laranja indústria a R$ 32,07/cx (40,8kg).

Os cinco fatos do agro para acompanhar em novembro são:

1- Evolução do plantio da safra brasileira de grãos em 2022/23. De acordo com o acompanhamento das operações da Conab (17/10), estamos com um ritmo muito positivo, um pouco abaixo do nível de 2021, mas ainda avançado em relação as safras passadas. Vamos agora acompanhar como será o desenvolvimento inicial (emergência e vegetativo) das culturas, torcendo para bom regime de pluviosidade e arranque inicial positivo.

2- O andamento e a finalização da colheita norte-americana de grãos. Com o início do inverno na região meio-oeste dos Estados Unidos, este mês de novembro representará a conclusão da safra por lá. Vale lembrar que o plantio foi tardio este ano e que o ritmo das operações será decisivo para que as lavouras não sejam prejudicadas pelo clima nesta fase final.

3- Vale aqui direcionar um dos pontos para o continente europeu. Além da crise econômica que atinge o continente, agora as preocupações também se voltam para a forte seca que tem afetado cultivos na região, como vimos aqui na coluna, jogando para baixo a produção de milho, açúcar e outros produtos. Mais um fator que tende a elevar ainda mais os preços por lá e piorar a questão da economia e inflação.

4- Seguir de olho no conflito entre Rússia e Ucrânia, que se intensificou nos últimos dias e tem tomado outras proporções, com novas incertezas relacionadas aos portos do Mar Negro, possíveis novos cortes no fornecimento de gás para a Europa e até mesmo maior envolvimento de outros países nas discussões.

5- Por fim, acompanhar dia-a-dia os embates políticos para as eleições de 2° turno no Brasil, no próximo dia 30 de outubro, tanto para a posição presidencial como para governadores ainda não eleitos. Novembro será um mês de avaliação do mercado em relação a decisão que for tomada pelo povo brasileiro, ou seja, o entendimento de quais caminhos e/ou políticas poderão ser tomadas a partir de próximo ano.

Marcos Fava Neves

Marcos Fava Neves é Professor Titular dos cursos de Administração da USP em Ribeirão Preto e da EAEASP/FGV em São Paulo. Especialista em planejamento estratégico do agronegócio. Coautoria: Vitor Nardini Marques e Vinicius Cambaúva.

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