O Brasil ocupa o terceiro lugar no cooperativismo de crédito no mundo, em número de associados, atrás dos Estados Unidos e da Índia. Porém, está em primeiro lugar em ritmo de crescimento de ativos, de acordo com os mais recentes dados do Conselho Mundial de Cooperativas de Crédito (WOCCU – World Council of Credit Unions).
A entidade ressalta em seu último relatório estatístico que, em dez anos (2015 ao início de 2025), o setor mais do que sextuplicou, crescendo 516%, com o total de ativos passando de R$ 130 bilhões para mais de R$ 800 bilhões.

Em número de cooperados (dados relativos ao início de 2025, certamente menores do que os atuais), os maiores sistemas cooperativos do mundo são:
| País | Cooperados (milhões) |
| 1.Estados Unidos | 143,7 |
| 2. Índia | 94,3 |
| 3. Brasil | 21,3 |
| 4. Canadá | 11,3 |
| 5. Filipinas | 10,1 |
| 6. México | 9,4 |
| 7. Etiópia | 7,7 |
| 8. Nepal | 7,4 |
| 9. Quênia | 7,4 |
| 10. Coreia do Sul | 6,7 |
Porém, para esses mesmos países, a ordem de importância é outra quando se considera o percentual de cooperados na população total:
| País | População (milhões) | Cooperados (milhões) | Cooperados/ população |
| 1. Estados Unidos | 347,3 | 143,7 | 41,4% |
| 2. Canadá | 41,8 | 11,3 | 27,0% |
| 3. Nepal | 30,9 | 7,4 | 23,9% |
| 4. Coreia do Sul | 51,7 | 6,7 | 13,0% |
| 5. Quênia | 57,5 | 7,4 | 12,9% |
| 6. Brasil | 212,8 | 21,3 | 10,0% |
| 7. Filipinas | 116,8 | 10,1 | 8,6% |
| 8. México | 131,9 | 9,4 | 7,1% |
| 9. Índia | 1.463,0 | 94,3 | 6,4% |
| 10. Etiópia | 135,5 | 7,7 | 5,7% |
Banco Central teve papel relevante
A expansão do cooperativismo de crédito brasileiro se deve em boa parte à atuação do Banco Central do Brasil. Durante a gestão de Roberto Campos Neto na presidência desse órgão (2019–2024), o cooperativismo financeiro passou a ocupar lugar de destaque na agenda estratégica da instituição. Além de promover mudanças regulatórias que favoreceram a expansão do setor, Campos Neto lançou um desafio público aos dirigentes das cooperativas: dobrar a participação das cooperativas de crédito no Sistema Financeiro Nacional.
Em diversas manifestações públicas, ele afirmou que o Banco Central via o cooperativismo como um instrumento de inclusão financeira, aumento da concorrência bancária e desenvolvimento regional. O desafio consistia em elevar a participação das cooperativas nos ativos e nas operações de crédito do sistema financeiro, que então girava em torno de 10%, para 20% ao longo da próxima década.
Esse desafio foi acompanhado por uma série de medidas concretas, em especial com a modernização do marco legal, com participação ativa do Bacen na elaboração da Lei Complementar nº 196/2022, que ampliou as possibilidades de atuação das cooperativas de crédito.
Campos Neto costumava justificar esse objetivo com dados que mostravam o impacto social das cooperativas: estas vinham crescendo muito acima da média do restante do sistema financeiro, em especial na participação no crédito para micro e pequenas empresas. Também argumentava que, durante a pandemia, a carteira de crédito do sistema cooperativo cresceu mais do que o dobro da média do Sistema Financeiro Nacional e que municípios com cooperativas apresentavam melhores indicadores de inclusão financeira e desenvolvimento econômico.