Um grande diferencial de uma cooperativa de crédito está no papel desempenhado por seu quadro social: cada cooperado ou cooperada ajuda a construir o patrimônio da instituição da qual é dono e participa dos benefícios econômicos gerados por ela.
Isso se faz por meio do capital social, que soma todas as quotas-partes dos associados, as quais poderiam ser qualificadas como “títulos de propriedade da Cooperativa”. Em essência, é nisso que está a maior força do modelo de negócios cooperativista.
Essa reflexão é oportuna em face da recente decisão do Conselho de Administração da Credicitrus, antecipando para 31 de outubro R$ 189,2 milhões em juros sobre o capital social dos cooperados. Normalmente, esse retorno sobre o capital vinha sendo efetivado no último dia útil do ano, de acordo com regras do Banco Central e disposições estatutárias da Cooperativa.
Os juros pagos anualmente sobre o capital social representam um importante instrumento de fortalecimento econômico e financeiro das cooperativas de crédito. Seu benefício é duplo: remuneram o investimento dos cooperados e, ao mesmo tempo, contribuem para ampliar a capacidade financeira de cada cooperativa, especialmente quando (como ocorre na Credicitrus) os valores são reinvestidos no capital social, contribuindo para o aumento do patrimônio líquido.
Sinônimo de participação
O capital social, nas cooperativas de crédito, representa muito mais do que uma contribuição financeira dos associados. É, antes de tudo, a expressão econômica de sua condição de proprietários de um empreendimento coletivo, do qual são simultaneamente usuários, participantes e beneficiários.
Diferentemente dos bancos comerciais e demais instituições financeiras convencionais, cujo capital pertence a acionistas e investidores, nas cooperativas ele é constituído pela participação dos próprios associados, que compartilham a propriedade e os destinos da organização.
Embora pertença individualmente aos cooperados, o capital social constitui, em seu conjunto, parte fundamental do patrimônio líquido da Cooperativa, ao lado das reservas e dos demais componentes patrimoniais. É um dos pilares de sua solidez econômico-financeira, contribuindo para a absorção de riscos, o cumprimento das exigências regulatórias, a expansão das operações de crédito e a capacidade de oferecer produtos e serviços em condições competitivas aos associados.
Preservação e aumento de valor
O valor do capital social é preservado pelos juros pagos anualmente e é aumentado pela integralização de parte das sobras distribuídas ao final de cada exercício e ainda, a qualquer momento, por aportes voluntários dos cooperados. Tudo isso contribui para fortalecer a estrutura patrimonial da Credicitrus e ampliar sua capacidade de crescimento sustentável.
Há, nesse processo, uma característica particularmente importante do cooperativismo de crédito já mencionada no início deste texto, que vale a pena repetir com outras palavras: o associado não é apenas um consumidor de serviços financeiros, mas um participante direto na construção e no fortalecimento da instituição que o atende e da qual é dono.
Estabelece-se, assim, um círculo virtuoso: o fortalecimento do capital amplia a capacidade operacional e financeira da Credicitrus; o crescimento da Cooperativa cria novas oportunidades de negócios e atendimento; e os resultados positivos podem retornar aos associados e às comunidades por meio de melhores serviços, distribuição de sobras e investimentos no desenvolvimento local.
Agentes de desenvolvimento
As cooperativas são importantes agentes de desenvolvimento das comunidades. Esse papel decorre, de um lado, do Resultado Social Econômico, que congrega todas as economias em juros e tarifas feitas pelas cooperados somadas à participação de cada um na distribuição das sobras. São, assim, recursos que permanecem em poder dos associados, disponíveis para aplicação de diferentes formas nas localidades em que vivem e trabalham, gerando renda, empregos e evolução.
Adicionalmente, as comunidades são beneficiadas pelos investimentos realizados pelo Instituto Credicitrus nas áreas educacional, cultural, ambiental e social. Nisso, os cooperados também são responsáveis, pois os recursos orçamentários do Instituto são oriundos do Fundo de Investimento Social (FIS) e do Fundo de Assistência Técnica Educacional e Social (FATES). Ambos são alimentados pelas sobras anuais da Cooperativa, as quais são geradas pelas operações realizadas pelos associados.
Embora o capital social não figure diretamente nesses benefícios à sociedade, está indiretamente presente em tudo. Isso porque, mais do que um indicador patrimonial, o capital social é um dos elementos que materializam os princípios de propriedade coletiva, participação econômica e corresponsabilidade que distinguem o cooperativismo de crédito. É a tradução financeira de um modelo de negócios no qual crescer significa, também, fortalecer o patrimônio de todos os que dele participam.
Nisso se confirma uma máxima: em uma organização como a Credicitrus, as pessoas estão no início, no meio e no fim. Em resumo, elas são a Cooperativa.
Resgate
Sendo um bem pertencente ao cooperado, o capital social pode ser resgatado. Isso ocorre em duas circunstâncias, sempre com a operação sendo feita em parcelas, de acordo com as regras estatutárias da Cooperativa
· Quando o associado se desliga da Credicitrus;
· Ou após completar 65 anos de idade, desde que tenha pelo menos 10 anos de filiação à Cooperativa, neste caso com o saldo dividido em parcelas mensais por até 20 anos, funcionamento como uma aposentadoria suplementar.