Sete cooperados, todos veteranos na pecuária bovina de corte, foram os protagonistas do webinar “Inovando e Construindo Valor na Pecuária”, realizado pela Credicitrus no dia 27 de agosto: André Luiz Perrone dos Reis, Cláudio Novaes Hermes da Fonseca, Fábio Freixo Brancato, Marconi Andrade Cherulli , Rui Claret de Carvalho Gonçalves e seu filho Daniel e Sergio Gottardi Paoliello.

No evento, compartilharam suas experiências e foram unânimes quanto às perspectivas do setor. Concordaram em que os preços estão em nível elevado, a demanda continua aquecida e a tendência é que as exportações prossigam em ascensão, principalmente em razão do consumo crescente de carne bovina pela China e outros países asiáticos. Mas advertiram: é preciso atenção aos custos, que também estão elevados, tornando mais difícil a construção de margens remuneradoras. Para obter lucro, salientaram, são necessários maior uso de tecnologia e criteriosa administração financeira, entre outras medidas, o que reduz as chances de sucesso para quem continuar atuando na tradicional pecuária extensiva.

Esse foi o oitavo seminário on-line da Jornada Somar Forças, criada pela Credicitrus para levar conhecimento atualizado a cooperados de todos os segmentos em que a Cooperativa atua – pessoas físicas, pessoas jurídicas e agronegócio. Mais de mil pessoas assistiram ao vivo a esse episódio, que teve como mediador o professor Marcos Fava Neves, da USP e da FGV, e contou com a participação de Domingos Sávio Oriente Franciulli e Marcelo Antonio Soares, respectivamente diretor Comercial e diretor de Operações da Credicitrus, e da gerente de Relacionamento da Cooperativa, Karina Cavazane.

Apresentações em resumo

Domingos Sávio abriu o evento ressaltando a evolução da pecuária bovina de corte no País, graças ao profissionalismo dos criadores, que têm contribuído para o crescente consumo da carne brasileira no exterior. Manifestou otimismo quanto ao futuro, porém acentuou que, embora os preços estejam altos e a demanda aquecida, os custos estão em elevação, exigindo cautela. E reforçou que a Credicitrus, “que está completando 37 anos com o agronegócio em seu DNA”, oferece um completo portfólio de soluções financeiras para os pecuaristas, e está capacitada a ser a principal parceira dos pecuaristas, atendendo com vantagens e sem burocracia suas necessidades de crédito para custeio, comercialização e investimento, aplicações e outros serviços.

Marcos Fava Neves deu sequência à abertura, relembrando que o clima de incerteza e pessimismo que prevaleceu em março e abril, em razão da pandemia da Covid-19, é hoje mais leve, com a previsão de que o PIB terá uma queda muito menor do que a prevista inicialmente. Para isso, o agronegócio tem tido papel fundamental. Quanto ao futuro, particularmente no segmento da pecuária de corte, enfatizou que o desafio está em superar, com um bom planejamento e uma gestão equilibrada, a inflação dos custos de produção, particularmente de aquisição de bezerros e compra de rações, entre outros insumos. Deixou, como provocação aos cooperados participantes, a questão: como construir margens com os custos subindo?

André Luiz Perrone dos Reis, diretor do Confinamento Monte Alegre, de Barretos, SP, recapitulou os fatores positivos citados por Domingos Sávio e Marcos Fava Neves. Com relação ao mercado externo, afirmou que as perspectivas são promissoras e que “a China é um mercado que veio para ficar, paga bem, mas requer qualidade”. Nesse sentido, acrescentou, os frigoríficos já pagam prêmios por animais que atendam às exigências chinesas, o que representa um estímulo para os criadores. Concluiu afirmando que, nesse cenário, a solução é intensificar a criação, buscando encurtar o ciclo de produção por meio de tecnologias modernas e nutrição adequada.

Cláudio Novaes Hermes da Fonseca, diretor da HF Agropecuária, é membro de tradicional família ligada ao agronegócio, com atuação inicial nos municípios paulistas de Bebedouro e Colina. Seu bisavô cultivava café, seu avô e depois seu pai se dedicaram à citricultura e à pecuária. Mais recentemente, a empresa também passou a cultivar cana e tem em Dom Aquino, MT, sua principal propriedade dedicada à pecuária. Nos últimos 10 a 12 anos, relata Cláudio, modernizou essa atividade, por meio da integração Lavoura-Pecuária, arrendando terras para cultivo de milho e soja, que assim são enriquecidas e depois utilizadas para pasto plantado. “Há dois anos”, prossegue, “iniciamos o semiconfinamento”. E finalizou: “Temos que agilizar o boi, reduzir seu tempo na fazenda, senão as contas não fecham”.

Fábio Freixo Brancato, engenheiro agrônomo e presidente do Sindicato Rural de Araçatuba, também pertence a tradicional família de agricultores. Como os demais participantes do webinar, defendeu o uso intensivo de tecnologia, ressaltando que a integração Lavoura-Pecuária e o confinamento são caminhos sem volta. Ponderou que proporcionam melhorias na produção, mas custam mais e, por isso, requerem gestão cuidadosa. Considera o crédito rural bem utilizado, com bom planejamento, uma ferramenta muito útil, em especial com as taxas praticadas atualmente. A seu ver, agregar valor à produção e manter rigoroso controle dos custos são os principais desafios atuais para o criador, “pois cada centavo pode fazer diferença lá na frente”.

Sergio Gottardi Paoliello, também engenheiro agrônomo, dedica-se à pecuária no interior de Goiás, na região que abrange os municípios de Costa Rica, Chapadão do Sul e Chapadão do Céu. Segundo ele, é uma região na qual prevalece alta tecnologia agrícola, com produção de cana, soja, milho, sorgo e algodão, e pecuária intensiva, com confinamentos e semiconfinamentos. Em sua opinião, é necessário dar atenção à renovação do rebanho bovino brasileiro, em particular aos pequenos e médios produtores que estão descapitalizados e são os principais responsáveis pelo fornecimento de bezerros. Segundo ele, isso poderia ser feito por meio de uma política específica, incluindo linha de crédito adequada: “Chegou a hora de fomentar a cria, agregar valor a esse segmento”.

Marconi Andrade Cherulli dirige a Bonsmara Barra Grande, em Uberlândia, MG, atuante na área de genética, responsável pelo cruzamento industrial de animais das raças Bonsmara e Nelore. Bonsmara é uma raça desenvolvida na África do Sul pelo pesquisador Jan Bonsma, resultado do cruzamento de gado Afrikaner (5/8), mais rústico, com as raças europeias Hereford (3/16) e Shorthorn (3/16). De acordo com Cherulli, que introduziu essa raça no Brasil, o cruzamento industrial é o caminho para uma pecuária mais sólida em termos técnicos e econômicos, pois “responde à necessidade atual de fazer mais com menos”, proporcionando ganhos como encurtamento do ciclo de criação e carne com maior qualidade.

Rui Claret de Carvalho Gonçalves, de Marília, SP, conta que há um século sua família se dedica à pecuária. É engenheiro civil e desde os 17 anos atua no setor, tendo se concentrado inicialmente na compra e venda de terras. Somente com 45 anos de idade, passou a dedicar-se à pecuária, inicialmente extensiva e, mais recentemente, com uso de tecnologia, com atenção à nutrição e à terminação dos animais, primeiro em semiconfinamento e agora em confinamento. Os lucros são pequenos, diz ele, principalmente em razão da dificuldade de comprar bezerros. Por isso, os cuidados com os custos são essenciais. Ele recomenda, para reforma de terras de pastagem, seu arrendamento para plantio de amendoim, cultura que, em sua região, tem produzido resultados positivos com custo mais baixo. Por sua vez, seu filho Daniel, estudante de Agronomia na ESALQ/USP, acredita que a verticalização da produção é outra saída a considerar e, nesse sentido, já vem adotando o plantio de milho na própria fazenda, de modo a reduzir os custos com a nutrição animal. Além disso, sugere que o criador esteja atento a um nicho de mercado que vem ganhando expressão: o de carnes mais suculentas, com marmoreio, cujo valor é mais alto.

Marcelo Soares, diretor de Operações da Credicitrus, encerrou o evento: “Obrigado pela aula. Tivemos uma lição de resiliência, governança, conhecimento técnico, visão de mercado e tecnologia. Isso traduz a solidez da Credicitrus, que nada mais é do que a soma de todos os seus cooperados”. Informou que o desempenho da Cooperativa, que havia fechado 2019 superando recordes, foi positivo no primeiro semestre, superando as previsões iniciais. Ao mesmo tempo, relatou que os cooperados vêm demonstrando maior preocupação com liquidez e gestão financeira e têm aproveitado bem as linhas de crédito oferecidas pela Cooperativa. Ressaltou, para completar, as expectativas positivas observadas no mercado quanto à reação da economia brasileira às dificuldades impostas pelo distanciamento social em função da Covid-19: “O otimismo está voltando. Quando o otimismo volta, tudo fica mais claro. Acredito em um fechamento espetacular neste ano para o Brasil, para a cooperativa como um todo e para os negócios nas áreas em que operamos”.

O webinar foi transmitido ao vivo pelo canal da Credicitrus no Youtube. Confira!

Escrito por sicoobcredicitrus

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