Proteger o patrimônio é tão importante quanto construí-lo. Essa é uma das regras fundamentais da educação financeira. Portanto, a aquisição de um imóvel deve ser acompanhada da respectiva proteção. Nesse sentido, além das medidas de manutenção e preservação, os seguros desempenham papel fundamental, e isso vale tanto para quem tem somente o imóvel em que reside (realidade da grande maioria das pessoas na sociedade brasileira) quanto para quem possui mais propriedades.
É preciso considerar que, na atualidade, tem aumentado a frequência de tempestades intensas, secas prolongadas (com incêndios de matas e outras áreas vegetadas) e descargas atmosféricas. Adicionalmente, a expansão do home office tem requerido crescente uso de computadores e impressoras, cujo funcionamento não pode ser interrompido sob pena de causar prejuízos profissionais. Para completar, vem crescendo o custo de mão de obra para pequenos reparos. Todos esses fatores, que de diferentes formas e em graus variados podem afetar a estabilidade financeira das famílias, tornam o seguro residencial cada vez mais necessário.
Riscos a considerar
A percepção dos riscos inerentes aos imóveis varia.
Para quem tem um só imóvel, este é mais do que um ativo, é sinônimo de moradia, segurança familiar e patrimônio principal, cuja preservação contribui para a estabilidade econômico-financeira da família. Se a propriedade não tiver seguro, um sinistro pode tornar-se uma questão de sobrevivência. Um incêndio, desabamento, explosão ou enchente pode destruir o imóvel, cuja reconstrução custará até centenas de milhares de reais. Situações como essa têm impacto devastador no orçamento familiar, exigindo completa reorganização da rotina (onde morar, como pagar etc.), com inúmeros inconvenientes e dificuldades.
Para quem tem mais de uma propriedade, a visão é de investimento. As preocupações incluem proteção de portfólio, fluxo de caixa e preservação de rentabilidade. O risco é multiplicado: quanto mais imóveis, maior a probabilidade estatística de ocorrência de sinistro em algum deles. Sem seguro, um incêndio ou dano estrutural em um imóvel representará prejuízo duplo: de um lado, necessidade de investimento pesado nos reparos ou na reconstrução; de outro, interrupção de renda, com meses sem geração de aluguel. Em contrapartida, imóveis bem protegidos mantêm valor de mercado e são mais fáceis de vender ou alugar.
Benefícios múltiplos
O seguro residencial é um dos produtos com uma das mais vantajosas relações custo-benefício do mercado segurador brasileiro, em razão das coberturas que pode proporcionar, além de uma série de serviços complementares. O prêmio (custo anual) de um seguro residencial costuma ser 0,1% a 0,3% do valor do imóvel, uma fração mínima diante da possibilidade de perda total.
Apesar disso, a penetração do seguro residencial é baixa quando comparada ao número de imóveis existentes no país, pois a maioria dos proprietários só o adquire quando é exigido em financiamentos imobiliários ou contratos de locação. Fora dessas situações, a contratação espontânea é bastante limitada.
A taxa de penetração dos seguros residenciais no Brasil é de apenas 17% dos domicílios, correspondendo a aproximadamente 12,7 milhões de residências, segundo dados da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg). Esse número, que coincide com o percentual divulgado pelo IBGE, revela que, de cada dez imóveis, em média menos de dois estão segurados.
Conveniência
Muitas pessoas jamais acionarão o seguro para receber indenização por incêndio, por exemplo, uma vez que esse tipo de sinistro é muito raro. Contudo, milhares de famílias utilizam todos os anos os serviços de assistência incluídos na apólice. Isso porque, embora muitos desconheçam, o seguro tem a função de uma central de serviços para atendimento de emergências domésticas.
Dependendo do plano, podem ser incluídos na apólice numerosos serviços que contribuem para poupar gastos e diminuir a preocupação com a eventual ocorrência de problemas comuns o dia a dia:
- Chaveiro –perda das chaves; quebra da fechadura; porta trancada.
- Encanador –vazamentos; rompimento de tubulações; entupimentos simples; troca emergencial de registros.
- Eletricista –curtos-circuitos; falta de energia interna; troca emergencial de disjuntores; reparos na instalação elétrica.
- Vidraceiro –quebra de janelas; portas de vidro; boxes de banheiro.
- Cobertura provisória do telhado – após tempestades; granizo; vendavais.
- Limpeza emergencial –algumas seguradoras oferecem limpeza após incêndio; alagamento; destelhamento.
- Guarda de móveis –quando a residência ficar temporariamente inabitável.
- Hospedagem – na hipótese de a casa precisar ser desocupada após um sinistro.
- Vigilância –em situações de arrombamento ou danos que deixem o imóvel vulnerável.
- Remoção de entulho –após eventos cobertos pela apólice.
- Reparos emergenciais –alguns planos incluem pequenos reparos em telhados, portas, janelas e calhas.
- Assistência para eletrodomésticos – a apólice pode incluir serviços de reparo (após ocorrência de sinistro como vendaval, tempestade, queda de energia, entre outros) de geladeira, máquina de lavar, micro-ondas, freezer e ar-condicionado, por exemplo.
- Instalação de equipamentos –alguns planos oferecem mão de obra para instalar ventiladores de teto, luminárias, cortinas, televisores e suportes.
Mais recentemente, dois outros itens passaram a ser cobertos por seguros: instalações de gás, em razão do aumento das redes de gás canalizado, e sistemas de energia solar.
- Instalações de gás – em muitos seguros residenciais, as instalações de gás estão contempladas de forma direta ou indireta. Uma das coberturas mais tradicionais é para danos causados por explosão, incluindo envio de técnico para atendimento emergencial em caso de vazamento de gás, interrupção do fornecimento ou necessidade de fechamento da rede. Adicionalmente, se um acidente envolvendo a instalação de gás causar danos a terceiros (como em um apartamento vizinho), a cobertura de responsabilidade civil, quando contratada, pode indenizar esses prejuízos. Vale destacar que problemas decorrentes de falta de manutenção, desgaste natural ou instalações em desacordo com as normas técnicas costumam estar excluídos da cobertura.
- Sistemas de energia solar fotovoltaica – Essa é uma questão cada vez mais relevante, principalmente para os cooperados da Credicitrus, já que muitos produtores rurais e proprietários de imóveis urbanos investiram em geração própria de energia. Na maioria das seguradoras, os sistemas fotovoltaicos podem ser cobertos, mas é importante verificar como eles foram incluídos na apólice. Quando os painéis solares fazem parte da cobertura da residência, podem ser considerados integrantes da edificação segurada, desde que informados corretamente na contratação. Algumas seguradoras exigem que o sistema fotovoltaico seja declarado expressamente, principalmente quando possui alto valor ou está instalado em estruturas independentes. Quando incluídos na apólice, os painéis podem ter cobertura para eventos como vendavais, granizo, queda de árvores, impacto de objetos, incêndio, queda de raio e danos elétricos decorrentes de surtos. É importante lembrar que nem todo dano será indenizado. Normalmente ficam excluídos prejuízos decorrentes de instalação inadequada, defeitos de fabricação (que devem ser tratados pela garantia do fabricante), falta de manutenção e corrosão ou desgaste natural.
Por que contratação é baixa
As pesquisas de mercado e os levantamentos realizados pelo setor segurador apontam um conjunto de fatores:
Sensação de que “nunca vai acontecer” – A maioria das pessoas considera sua residência um ambiente seguro e acredita que incêndios, explosões ou grandes acidentes acontecem apenas com terceiros. É o que psicólogos qualificam como “viés do otimismo”, bastante conhecido na economia comportamental.
Desconhecimento das coberturas – Grande parte da população acredita que o seguro residencial cobre apenas incêndio. Poucos sabem que uma apólice pode incluir proteção contra vendaval, queda de raio, explosão, danos elétricos, roubo, quebra de vidros, impacto de veículos, alagamentos, responsabilidade civil e assistência residencial. Ou seja, muitos deixam de contratar porque desconhecem o produto.
Falsa percepção de custo elevado – Muitas pessoas imaginam que o seguro residencial tenha preço semelhante ao seguro do automóvel. Na prática, como se explicou acima, o valor costuma representar uma pequena fração do patrimônio protegido, especialmente em imóveis urbanos. Quando comparado ao custo de reconstrução da residência ou à reposição de bens, o investimento anual costuma ser bastante acessível.
Confusão entre valor do imóvel e valor segurado – Outro equívoco comum é imaginar que a seguradora indeniza o valor de mercado da casa. Na realidade, o seguro normalmente protege o custo de reconstrução da edificação e, conforme a contratação, também os bens existentes no imóvel. Essa diferença faz com que muitas pessoas acreditem que o seguro seja “insuficiente” ou “desnecessário”.
Prioridade para riscos mais visíveis – O consumidor costuma perceber mais facilmente riscos ligados ao automóvel, à saúde ou à vida. Como a residência permanece estática, cria-se a impressão de que ela está naturalmente protegida. Entretanto, eventos climáticos extremos e acidentes domésticos têm aumentado significativamente nos últimos anos.
Pouca divulgação – O seguro residencial recebe bem menos investimento em comunicação do que os seguros de automóveis e de vida. Consequentemente, boa parte da população desconhece suas vantagens.
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