A Força das Mulheres no Agronegócio” foi o tema do décimo segundo episódio da Jornada Somar Forças, série de webinars criada neste ano pela Credicitrus com o objetivo de levar conhecimento atualizado e relevante para as diferentes categorias de cooperados. O evento, realizado no dia 12 de novembro, teve como convidada especial a cafeicultora e empresária Mariselma Sabbag, líder do Comitê de Agronegócio do Grupo Mulheres do Brasil, e reuniu três cooperadas que ocupam posições de liderança em suas organizações: Rita Vicençotti, diretora corporativa do Grupo Terra Viva, com sede em Holambra, SP, no qual responde pelas áreas administrativa, financeira e de recursos humanos; Neusa Scentinela, diretora do Grupo Qualicitrus, com sede em Limeira, SP, responsável pelas áreas de administração e finanças; e Anna Paula Nunes, empresária rural no município de Boa Esperança do Sul, SP, e presidente do Centro Educacional e Assistencial Oficina das Meninas, organização da sociedade civil com sede em Araraquara, SP, que acolhe meninas em situação de vulnerabilidade social.

O seminário on-line, que foi transmitido ao vivo pelas redes sociais da  Credicitrus, teve como mediador o Professor Marcos Fava Neves, da USP e da FGV, e contou com a participação dos diretores executivos da Credicitrus Domingos Sávio Oriente Franciulli (Comercial), Marcelo Antonio Soares (Operações) e Marcelo Martins (Tecnologia e Gestão) e de sua gerente de Relacionamento, Karina Andriazi Cavazane.

Apresentações em resumo

No webinar, cada participante explicou brevemente o trabalho que desenvolve e, na sequência, apresentou sua visão sobre o que considera mais importante na gestão e como as mulheres podem fazer diferença em funções executivas.

Mariselma Sabbag abriu as apresentações, contando que faz parte de uma família que há décadas se dedica à cafeicultura. Depois de graduar-se em Tecnologia da Informação, casar-se e ter filhos, fez um curso de classificação e degustação de café (estimulada pelo marido). Esse curso representou uma descoberta para ela, a partir da qual decidiu dedicar-se à cafeicultura: “Se tenho café, vou vender café”. Assim, Fundou a Café Renovo (produção e beneficiamento de café arábica originário da propriedade da família, situada em Conceição da Aparecida, no sul de Minas Gerais). Além de seu envolvimento no Grupo Mulheres no Brasil, é representante no País da Aliança Internacional das Mulheres do Café (IWCA – International Women’s Coffee Alliance).

Em sua apresentação, explicou que o Grupo Mulheres do Brasil foi criado há sete anos por 40 empreendedoras, tendo como presidente a empresária Luiza Helena Trajano, que comanda a rede Magazine Luiza e outras empresas de sua holding. Há um ano, foi criado no grupo o Comitê de Agronegócio, que é coordenado por Mariselma e cujo objetivo é buscar a igualdade de gênero no agro, o combate à violência contra a mulher rural e a educação com foco em formação tecnológica. Ao final, ressaltou: “Nosso objetivo, no Grupo Mulheres do Brasil, é trabalhar por um Brasil melhor, mais desenvolvido. Para isso, não inventamos a roda, procuramos nos engajar em causas já existentes e dar nossa contribuição”. Ressalvou: “Não somos contra os homens, mas somos a favor das mulheres”. E concluiu formulando um convite às cooperadas da Credicitrus para que façam parte desse grupo, e, para isso, solicitem sua inscrição pelo site www.grupomulheresdobrasil.org.br.

Rita Vicençotti, que é formada em Matemática e reside em Holambra, revelou que trabalha há 25 anos no Grupo Terra Viva, onde conseguiu “conciliar o lado frio dos números com o lado que aquece, que são as pessoas”. O Grupo Terra Viva foi fundado em 1959, tem 1.200 colaboradores e, explica em seu site, pesquisa, desenvolve, produz e comercializa batatas, bulbos, cereais, flores e plantas ornamentais, laranja, mudas e eucaliptos em fazendas localizadas em São Paulo e Minas Gerais.

Ela conta que, durante sua carreira profissional, casou-se e teve dois filhos: “Esses novos papéis não impediram que eu aceitasse novos desafios, nem, por outro lado, que tirasse férias, sempre agindo com equilíbrio”. A seu ver, “a gestão feminina é forte na preservação da saúde das pessoas, em manter a produção funcionando em um período como o atual, preservando a saúde de todos” e lembrou que “em momentos de incerteza, é preciso ter foco no objetivo, o que exige comunicação constante”. Para ter sucesso, diz, a gestão deve basear-se em um tripé: gerencial (como o modelo funciona, regras e valores), técnico (metas e indicadores) e humano (engajamento das pessoas no modelo, com oportunidades e autonomia para trabalhar). Esse modelo é adotado no grupo, que é organizado em Unidades Gerenciais Básicas (UGBs), cada uma delas com seu quadro e suas metas, com autonomia e responsabilidade pelos resultados, que são medidos e discutidos em reuniões semanais de avaliação. Para ela, o estímulo à criatividade é fundamental: “A base para isso é desafiar cada um a liberar seu potencial, assim o colaborador se sente parte do processo e alcança a autorrealização”. A gestão, resumiu, deve fundamentar-se em amor, paz, ação correta, verdade e não violência.

Neusa Scentinela declarou que é produtora rural, filha e neta de produtores rurais, e hoje responde pelos negócios da família, como diretora do Grupo Qualicitrus, com 12 lojas de insumos, máquinas e implementos agrícolas em São Paulo e Minas Gerais, Centro de Distribuição instalado em Artur Nogueira, SP, e composto pelas empresas Qualimaq (máquinas, implementos e tratores novos e reforma de usados), Qualiprecisão (agricultura de precisão), Companhia do Campo (loja de rações e  produtos para linha pet e animais de pequeno e grande porte), Qualióleo (fornecedora de óleos minerais para pulverização agrícola) e Agrícola Qualicliclo (três propriedades rurais produtoras de citrus e cereais).

Neusa é formada em Ciências Contábeis, depois, em Economia com ênfase em Gestão Financeira, e fez parte da primeira turma de Mulheres do Agro da Fundação Dom Cabral, “com 20 grandes mulheres, atuantes em diversas culturas”. Relembrou que a presença feminina no agronegócio sempre foi baixa, mas que isso vem mudando nos últimos tempos: “Pela primeira vez em 100 anos, uma mulher foi eleita presidente da Sociedade Rural Brasileira (a socióloga e pecuarista Teresa Vendramini, mais conhecida como Teka Vendramini)”. A seu ver, a gestão feminina vem sendo valorizada porque “a mulher transita com mais facilidade entre a cidade e o campo, entre a carreira e a família e por sua dedicação e vontade de aprender”. Afirmou que o mercado exige profissionais cada vez mais especializados em planejamento dos negócios, gestão de custos, capacitação de profissionais e atendimento às exigências normativas, e “nessas questões, a figura feminina tem aparecido mais”. Finalizou: “O lugar da mulher é onde ela quiser, e a boa notícia é que esse lugar é também no agro”.

Anna Paula Nunes é mãe de três filhos e a principal responsável pela condução da Fazenda Jangada Brava, situada em Boa Esperança do Sul, município vizinho a Araraquara, onde reside. Em sua propriedade, antes dedicada à citricultura, cultiva soja, milho e cana-de-açúcar. Ela conta: “Venho de família de produtores, nasci em fazenda, sou da quarta geração na mesma propriedade, que começou com meu bisavô. Sempre amei este meio e nunca tive dúvida quanto ao que queria para minha vida, que era trabalhar com o agro. Como toda mulher, casei e tive filhos, mas o amor pelo agro me fez voltar. Há 15 anos, assumi a propriedade. Meu pai achava que, por ser mulher, não era o que eu devia fazer. Perante os funcionários da fazenda, eu era a filha do patrão, não a gestora. No começo, quando eu propunha algo novo, perguntavam se meu pai estava de acordo. Hoje ocorre o contrário. Quando meu pai propõe algo, perguntam: o senhor perguntou para a Paula?

Anna Paula também criou o grupo Mulheres do Agro de Araraquara: “Isso me abriu a cabeça. Ao conversar, escutar depoimentos, a gente se sente mais forte, renovada e capaz. Hoje vejo mulheres que têm propriedades se interessando por tudo. A união de nós mulheres é importantíssima e mostra que a mulher é capaz e consegue o que quer”. E complementou: “Não somos melhores ou piores do que os homens. Somos diferentes, e a diferença está no olhar, a gente é mais sensível para ver problemas. Outra diferença é que sempre procurei tecnologias novas e dar mais oportunidades aos funcionários, para que, se quiserem, participem de curso. Ninguém faz nada sozinho, por isso, sem uma equipe boa, não crescemos nem vamos para a frente”.

Mulheres na Credicitrus

O professor Marcos Fava Neves e os diretores executivos da Cooperativa manifestaram, ao final, seu agradecimento pela qualidade das apresentações.

Marcos Fava relembrou que os webinars gravados somam mais de 12 horas de vídeo, que estão compondo um acervo à disposição de todos os interessados, muito valioso para o futuro da Cooperativa e do cooperativismo.

Domingos Sávio opinou que as apresentações foram inspiradoras e salientou em especial como o lado sensível da mulher tem equilibrado as ações nas organizações. A acrescentou que a Credicitrus tem hoje 1.211 colaboradores, sendo 658 mulheres, representando mais de 50% do quadro da Cooperativa. 

Marcelo Soares, por sua vez, afirmou que considera um webinar como esse de extremo valor para o aprendizado sobre gestão: “Com isso, vamos ajudar muitos jovens a desenvolver suas carreiras de forma mais acelerada”. Por outro lado, acentuou que a mulher é mais intensa em suas entregas, e no cooperativismo isso tem feito diferença, por isso recomendou às que tenham maior envolvimento na vida da Cooperativa, pois, com seu exemplo, podem ajudá-la a crescer ainda mais.

Marcelo Martins completou os comentários dos diretores, agradecendo às quatro palestrantes, salientando que, em suas apresentações, revelaram traços muito marcantes na gestão feminina de hoje, como protagonismo, otimismo, cidadania e amor pelo Brasil.

Assista à integra do webinar

Escrito por sicoobcredicitrus

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